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Sweet Nothing

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Sab | 11.06.11

Dreams of Love - Capítulo XXII – Brasileirinho bonito.

Capítulo XXII – Brasileirinho bonito.

        

            A viagem foi longa o suficiente, para que as minhas lágrimas se desvanecessem mas, a tristeza permanecia. David, tinha-me trazido à praia que ambos tínhamos confessado ser a nossa preferida no dia do jantar. Ele sabia que o mar me acalmava e, tenho a certeza que não hesitou em trazer-me ali. Parou o carro, e olhou-me mais uma vez sem nada proferir. Agarrou a minha mão e instintivamente os meus olhos fecharam-se. Eu não podia voltar a reviver o passado. O passado deveria ficar no seu lugar, e não reencontrar-me no futuro.

            - Mariana, o que se passa com você? Porque ‘cê ‘tá tão abalada? – David quebrou o silêncio que se tinha instalado desde que o meu choro cessara.
            - Ele não pode voltar, David. Ele não pode voltar … - foi a única coisa que consegui dizer.
            - Mas quem? Quem está atormentando seu coraçãozinho? – no fim desta pergunta, David aproximou-se mais de mim e colocou o seu braço junto aos meus ombros num gesto carinhoso.
            - Ele … não pode voltar. – O medo e as lágrimas apoderaram-se novamente de mim.

            - Shh! Calma baixinha, eu tô aqui e ninguém vai machucá você. Eu compreendo que você não queria falar deste assunto, quando quiser desabafar eu estou aqui.
            - Obrigada, David!

David, envolveu-me nos seus braços e mais uma vez fez-me sentir segura, com ele os meus medos davam lugar a certezas. Uma dessas, era que aquele brasileirinho bonito me fazia bem, muito bem.
            Passados dez minutos, David abriu o porta-luvas, retirou um marcador grosso de cor vermelha e depois de abrir a porta do carro veio ao meu encontro. Abriu-me a porta da pendura, ajudou-me a sair e levou-me não ao areal mas à arriba que se encontrava do outro lado da praia. O mar não estava muito revolto, corria apenas um vento não muito forte mas, suficiente para que os caracóis do David saíssem do lugar. Este, pegou numa pedra não muito grande e estendeu-ma.
            - Uma pedra David? – a minha voz saiu rouca devido ao choro,
 David, nada disse e com a outra mão, entendeu-me o marcador vermelho. Aceitei aquelas suas “ofertas”, depois disso colocou-se atrás de mim e as suas mãos prenderam os meus braços.
            - Quero que faça duas coisas. Primeiro, ‘cê vai olhar pró horizonte e pensar na pessoa que a machucou. Vai pensar nos momentos maus que ‘cê viveu com ela. Depois, cê vai escrever a primeira letra do nomi dele na pedra e atirá-la pró fundo do mar. Sem medos, sem choro. Vai mandar essa revolta, essa tristeza dentro do seu coração para essa pedra … Confia em mim?

            Limitei-me a abanar afirmativamente com a cabeça, eu confiava nele. Fiz exactamente o que ele me pediu: olhei o horizonte e recordei todos os momentos menos bons que vivi com o canalha do João, todos. Passando pelas agressões, manipulações … tentativa de violação. Consegui conter as lágrimas, e com toda a raiva que possuía escrevi um “J” maiúsculo e bem grande na pedra. Dei, três passos e mandei a pedra para o fundo do mar. No momento, em que embateu na água e se perdeu naquela imensidão fechei os olhos, suspirei. Virei as costas ao mar, e fixei-me num ponto. David. Sorria-me e fui ao seu encontro. Abracei-o e agradeci-lhe. Sentia-me libertada, sentia-me bem. Como se todos os problemas se tivessem mesmo afogado dentro daquela pedra. Uma coisa sabia, da próxima vez que visse João, ele não iria provocar em mim nenhuma lágrima, nenhum sentimento a não ser nojo e repulsa. Outra das coisas que eu tinha a certeza, que eu tive a certeza naquele dia foi que David, estaria sempre a meu lado. Depois destas confirmações, o lado esquerdo do meu peito acalmou … 

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