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Sweet Nothing

Sweet Nothing

Qui | 12.08.10

Don't stop dreaming - Capítulo #16

Obrigada por todos os comentários!

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Capitulo #16

 

Um... piano. Um piano lindo, preto. Como era possível eu não ter reparado nele? Os meus olhos tinham o visto, pois era impossível não reparar nele quando se entra no quarto, o meu corpo e a minha mente é que não queriam vê-lo. Naquele momento, o meu corpo não me pertencia, o meu cérebro não dava ordens para que ele se mexesse. A última vez que tinha visto um, que tinha estado tão perto de um, fora há treze anos atrás. Quando Richard se fora embora, eu nunca mais tinha tocado no nosso piano. Os meus pais sempre nos tinham influenciado para a música, éramos bastante bons ao piano e há guitarra. Mas a minha vontade de tocar era só quando ele estava presente, era como se fosse só uma coisa nossa, um só tocava quando o outro estava presente, o que mais gostávamos de fazer era tocar em conjunto.Quando ele se foi embora, os meus pais tinham vendido o piano. E agora, eu estava no quarto da pessoa que mais amava no mundo, sozinha com um piano. Levantei-me da cama, finalmente, dei dois pequenos passos e aproximei-me do piano. Estiquei a minha mão para lhe tocar, mas não consegui. Era um sentimento forte demais, era uma estranha sensação. As lágrimas percorreram a minha face, na minha cabeça via as imagens de dois meninos, muito idênticos, sentados num banco preto, a tocar piano. Ao lado deles, os pais muito animados, a ouvir os seus rebentos, com lágrimas de orgulho. Devia estar a dez centímetros do piano de Ed, eu nunca soubera que ele tocava piano, tínhamos mais coisas em comum, eu sabia tocar guitarra e piano tal como ele, mas ele tinha vontade de tocar e eu não tinha motivos para o fazer. Deixei-me cair no chão, coloquei  os meus braços entre as minhas pernas, e a minha cabeça entre os joelhos, e simplesmente chorei. Chorei por não ter uma infância feliz, por não ter o meu irmão a meu lado, chorei por não ter sido feliz, chorei apenas e só pela simples necessidade de chorar.

Ed apareceu no quarto, alguns minutos depois. Viu-me sentada no chão e foi ter comigo.

 

Ed: Anne? Annie, o que se passa? Porque estás a chorar?

Anne: Abraça-me e diz que me amas!

Ed: Anne, és a pessoa a quem mais quero neste mundo, e não digo isto só porque me pediste.

 

Ed abraçou-me, ele devia estar confuso. Consegui recomporme e contei-lhe a minha história. Ele abraçou-me.

 

Ed: Pode ser uma má iniciativa da minha parte, mas eu sei que tu vais conseguir voltar a cantar, a tocar piano e guitarra. Tens de superar, e eu sei que consegues. Eu deixei-te aqui, a culpa é minha. Se eu não te tivesse trazido para aqui tu não estavas assim.

Anne: Teres-me trazido aqui foi uma das melhores coisas que me aconteceu. Tu tens razão, eu tenho de encarar os meus medos, mas é mais forte do que eu, as lembranças nunca se apagam.

Ed: Eu sei que vais superar, e sabes uma coisa? Eu vou estar aqui para ver.

Anne: Obrigada...

 

Ed compreendia-me e eu cada vez gostava mais dele. Acabamos por almoçar uma refeição rápida em casa dele. Era uma casa muito agradável. Depois de arrumar-mos a cozinha e de termos namorado um pouco James e Helen apareceram.

 

James: Vim só buscar a maquina fotográfica e iamos já ter a tua casa Helen, mas se estão aqui é tudo mais fácil.

Ed: A maquiná está no teu quarto, mas duvido que a encontres, no meio daquela barafunda.

James: Barafunda? O meu quarto é o quarto mais arrumado e organizado da casa.

Anne: Uau, então o quarto do Ed é um quarto de morte.

Ed: Annie annie, é melhor não nos chatearmos.

 

Gostava da maneira como o James encarava as coisas, Helen sentou-se ao pé de mim e de Ed enquanto James foi buscar a máquina. Pelo o que Ed tinha dito, James tinha um curso de fotografia, e quase todos os dias tirava fotos. Eu não tinha muitas fotos só as essenciais, em minha casa não havia uma foto só minha, ou tinha com a minha mãe, com o meu pai ou com a Helen. Passamos a tarde a tirar fotos, James não se cansava. Apanhava as minhas piores posses, sempre distraída ou a beijar Ed, ou a meter-me com Ed. Consegui apanhar uma mesmo muito esquisita. Ao fim da tarde, James tinha o cartão de memória cheia. Foi a primeira vez, que gostei de ver uma foto minha, uma foto onde entrava apenas eu. A foto para mim era especial, pois eu estava com o olhar dirigido para Ed e estava de mão dada com Helen. Outra foto que tinha gostado era uma de nós os quatro. A tarde foi bem passada e tínhamos combinado ir jantar fora.  Pedi a Ed que me deixa-se em casa para mudar de roupa, e Helen fez o mesmo. O jantar estava marcado para as oito e meia, Ed e James vinham buscar-me e apanhavam Helen no caminho...

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