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Sweet Nothing

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Sab | 29.01.11

Dreams of Love - Capítulo XVI - Il mio è divino

- Vai descansar um bocado que eu acabo o jantar.
- Tu é que devias ir descansar que tiveste treino, eu estive sentadinha numa cadeira a ouvir.
O esparguete e o frango estavam quase prontos e aquele teimoso ainda não me tinha contado nada sobre a Lia. Enquanto isso, fui pôr a mesa e não foi preciso esperar muito para que Ruben trouxesse a comida. Sentamo-nos e começamos a nossa animada refeição.
- Admite lá casmurro que o esparguete feito por mim não é muito melhor? – provoquei-o.
- Desculpa maninha, mas o meu é três ou quatro vezes melhor. Il mio è divino. – Disse-me num italiano aportuguesado o que me provocou uma gargalhada.

- Esquece o italiano e dedica-te à bola Amorim. O Ruben tu sabes que és o meu irmão favorito não sabes? – disse-lhe tentado dar-lhe graxa.
- Pronto, começou o fado. Não me venhas com falinhas mansas que a tua sorte não vai chegar.
- Eu tenho o direito de saber quem é a Lia, caramba.
- A Lia é aquela rapariga que tu viste e por sinal é irmã da tua amiga.
- Isso já eu percebi, mas até que ponto a conheces? Qual é a vossa relação?
- Calma mana, tanta pergunta… - olhei-o com um ar impaciente e ele acabou por desbobinar tudo. – Pronto, tenho mesmo de te contar se não, não te calas mais. Oh pá a Lia é minha amiga e conhecemo-nos no estádio, ela dança na claque …
- E?

- E nada Mariana, somos amigos quer dizer, acho que isso lhe posso chamar porque ainda não conversamos mais que dez minutos.
- Até que ponto é que estás interessado? Admite porque essa carinha não engana.
- Acho-lhe graça… apenas isso. – Disse-me concluindo a conversa com uma garfada de esparguete.

- Está bem, está. Ela parece-me simpática pelo que diz a Ri, é super trabalhadora e elas são muito unidas … vou tentar sacar alguma coisa.
- Vá , não te metas em asneiras.
- Descansa…
- Agora que já me massacras-te o suficiente é a minha vez. Então amanhã vais jantar com o meu mano, é?
Não estava nada à espera que ele lhe tivesse contado, por isso tive de beber um pouco de água e “aquecer a garganta”.
-Pois, parece que sim… afinal ele está me a dever um jantar.
- Já vi começarem por menos.
- Ruben quantas vezes é preciso dizer isto até que vocês compreendam: os rapazes não são prioridade e quanto mais longe melhor. – disse de forma arrogante.
- Ei, calma só estava a brincar.

- Desculpa, mas tu sabes o que se passou e como quero distância desse tipo de relacionamentos.
- Vais gostar do David, ele é divertido e vocês são parecidos. Não duvido que se tornem bons amigos.
- Espero que sim.
(..)
-Estás entregue maninha.
-Não queres entrar? Ainda é cedo, o Fábio e a Andreia ainda devem estar acordados.
- Está a ficar tarde para mim e para ti, amanhã tens aulas.
- Ai que chato… mas tens razão. – peguei na mala e abri a porta do carro, quando pus um pé de fora Ruben agarrou-me pelo braço.
- Desculpa eu no jantar fui longe demais e não devia ter tocado naquele assunto…
- Ruben, esquece. Eu já o fiz, não precisas de te preocupar isto é uma coisa que eu já devia ter superado mas ainda aqui está, e não é por causa disso que eu vou ficar chateada ou algo do género, ok? – dito isto dei-lhe um beijo no rosto e despedi-me dele.
- Olá casalinho. – Cumprimentei-os com um beijo a cada um, estavam os dois sentados no sofá a ver televisão.
- Olá Mari, como correu o dia?
- Bem e já desvendei o mistério Lia. – disse confiante.

- Tu és danada, coitado do Ruben levou com perguntas o jantar todo. – disse Fábio.
- Temos pena, primo. - acabei por lhe descrever maior parte do dia e do jantar e os dois ficaram bastante entusiasmados pela a minha adaptação estar a correr da melhor maneira. – Amanhã não volto a jantar em casa, não se importam pois não?
- Desta vez é com quem, priminha?
- Segredo … - o meu olhar cruzou-se com o de Andreia e percebi que ela tinha entendido com que seria o jantar.
(…)
Acordei bastante cedo na manhã de quarta-feira, decidi tomar um banho relaxante, vestir-me e durante uma hora estive a passar os cadernos a limpo que a Rita me tinha emprestado. Olhei para o meu relógio, ainda tinha tempo para dar um passeio pela praia antes da escola. Assim fiz, sentei-me no areal daquela praia deserta. O mar estava revolto e libertava a sua fúria quando encontrava os rochedos… simples e belos ao mesmo tempo. Costumava ter diálogos intermináveis com o mar, fazia-me bem e por mais silenciosos que fossem conseguia obter respostas para as minhas dúvidas. Não ia negar, que o jantar de hoje me estava a deixar nervosa, e a conversa de ontem com Ruben acerca daquele assunto a que chamam o melhor sentimento do mundo (amor), tinha-me deixado abalada. Já se tinha passado quase um ano, mas nunca mais tinha sentido aquilo. Não conseguia esquecer e por mais que tentasse não conseguia fazer com que me amassem, talvez pela falta de disponibilidade ou seria esse o meu destino? Não, não estava preparada para voltar a entregar-me como me tinha entregado a João, não podia voltar a ser usada e maltratada. Simplesmente não podia. As fragilidades de menina ainda cá estavam … e num fechar de olhos recordei todos os momentos com ele … o riso, a entrega, a partilha… a sua traição… a sua revolta … os meus medos … o ponto final.
O dia de aulas decorreu normalmente, e a minha amizade com Rita ia cada vez melhor. Durante o dia recebi uma mensagem de David: “Oi (: Espero que esteja tudo bem com você. Não se esqueceu do nosso jantar, pois não? Passo em casa do Fábio por volta das oito. Beijos, David.”



Espero que tenham gostado, este capítulo é dedicado Cahty. Beijinhos

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