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Sweet Nothing

Sweet Nothing

Sab | 22.01.11

Dreams of Love - Capítulo XIV - Corre Amorim, corre

Capítulo XIV – Corre Amorim, corre.


O resto da manhã correu normalmente, depois do furo a português e do intervalo da manhã tive Filosofia. Confirmei o que a Rita me disse, era o melhor stor que tínhamos, era super divertido e eu que não gostava nada de Filosofia, acho que passaria a gostar. Quanto às outras três, não me dirigiram a palavra e eu pessoalmente fiquei-lhes agradecida. Almocei na cantina da escola na companhia da Rita, o Diogo e a Bia (como toda a gente lhe chamava) tinham ido para casa. Como não tínhamos aulas à tarde, combinamos que passaríamos pela casa da Rita para ela me emprestar os cadernos, assim conseguia acompanhar e perceber a matéria de cada disciplina. Cada minuto que passava com ela, a nossa cumplicidade aumentava, somos as duas bastante parecidas tanto fisicamente como na personalidade. As nossas histórias eram bastante parecidas, os pais de Rita tal como os meus, pouco tempo passavam em casa e ela e a irmã foram quase “obrigadas” a crescer sozinhas. Consegui perceber, que Rita admirava a irmã, era o seu ídolo: trabalhava numa loja de roupa e pertencia a claque do Benfica, e no pouco tempo que dispunha para si, fazia voluntariado num orfanato.
- Mariana, podes levar os cadernos que quiseres.
- Obrigada, mas levo só os de português e filosofia, assim conseguido ir organizando as coisas aos poucos. – disse-lhe sorrindo e piscando o olho.
- Como queiras, queres beber alguma coisa? Sumo? Água?
- Não, obrigada.

Num momento de espontaneidade, a Rita ligou o rádio e colocou-o nas alturas, começamos as duas a dançar feitas maluquinhas, acabamos por cair as duas no chão depois de tantos saltos.

- Isto dá-te muitas vezes? – perguntei.
- Algumas, por isso habitua-te. – disse sorrindo e colocando-se de pé.

***
Despedi-me de Rita e fui para casa, comecei a passar os cadernos que Rita me tinha emprestado e a rever a matéria que tinham dado, nada que me assusta-se muito. Eram 16h25, quando recebi um telefonema do Ruben a perguntar como tinha corrido o dia de aulas. Tentei obter informações sobre o assunto: Lia, mas ele limitou-se a responder que a seu tempo eu saberia. Com o seu bom humor, convenceu-me a custo a ir ver o treino da tarde. Não me apetecia ir sozinha por isso liguei a Rita, que de imediato aceitou.

Encontramo-nos, nas bancadas do centro de estágio no Seixal e entre conversas acabei por lhe contar que era prima do Fábio, afinal ela era a minha primeira amiga em Lisboa, e pareceu-me que não devia esconder uma coisa de que orgulhava. Como a irmã, dançava na claque benfiquista ela acabava por conhecer alguns jogadores, mas apenas de vista. Prometi-lhe que a apresentava a Ruben e a Fábio. Os jogadores entraram no relvado, eu e Rita estávamos mesmo na fila da frente, Fábio e Ruben sorriram-me de imediato e o meu olhar cruzou-se com o de David. Este, esboçou um pequeno sorriso, e os caracóis iluminados pelo sol, tornavam-se ainda mais perfeitos. O treino decorreu normalmente, com os exercícios habituais e o meu olhar, apesar de percorrer Fábio e Ruben, acabava sempre num número, numa camisola, num rosto: David.
No fim do treino, Fábio veio ter comigo e com Rita, a qual reconheceu e ficou feliz por ela ser da minha turma. Apresentei-os em condições e esperamos por Ruben e David. Para meu azar, a Rita recebeu uma chamada da irmã e teve de ir ter com ela, deixando-me sem um ponto de abrigo. Não deixava transparecer, mas aquela iria ser a primeira vez, depois da aposta e das mensagens, que estaria com David, e por isso mesmo estava nervosa. Não sabia até que certo ponto e o porquê de ele me ter despertado interesse, mas despertou-o e não me era indiferente.

- Que gira que a minha mana está! – disse Ruben ao entrar no parque de estacionamento.


Nesse dia, tinha optado por uma skinny jeans, uma t-shirt cinzenta estampada e uma camisa xadrez (preta e vermelha) aberta, deixei o cabelo ao natural com um gorro na cabeça. Tinha-me prevenido um pouco, e por isso mesmo hoje não parecia tão pequenina: as minhas botas tinham algum salto o que me permitia estar mais confortável ao lado de Ruben.

 

- Isso é tudo graxa, para eu me esquecer daquele assunto mas podes ter a firme certeza que mais tarde ou mais cedo tens de desbobinar tudo. – dito isto cumprimentei-o.

Mesmo atrás dele, com o saco do treino no ombro vinha o David. O cabelo ainda estava molhado, alguns cachos rebeldes estavam fora do lugar o que lhe dava um ar de menino natural. A camisa por fora das calças e a casaca castanha aberta, permitam ver o seu corpo bem definido. Mas, o que me chamou mais a atenção foi o olhar, como no primeiro dia em que o conheci, transmitia-me mais uma vez segurança.


- Oi Mariana, tudo bom? – disse-me e inclinou-se, baixando o seu rosto para perto de mim, cumprimentando-me.

- Sim David, e contigo? – formando um sorriso no meu rosto, sem este ser premeditado.

- Tudo bom.

- Bem pessoal, e se fossemos lanchar aqui a barriga do Ruben já está a dar horas.
- Sempre o mesmo, manz.

- Cala-te macarrão. Não foste tu que deste mais dez voltas ao campo por causa daquele menino, - disse apontado para Fábio – ainda mas vais pagar.
Durante o treino, Fábio meteu-se com Ruben e este reagiu a provocação, por azar o Jorge Jesus, não estava disposto a brincadeiras no treino de hoje e mandou-o correr como castigo.
- Metes-te com o Fábio depois é o que dá.
- Ainda estás do lado dele? Eu a pensar que a minha irmã me defendia e afinal …
- Ela tem razão manz, se você não se metesse não era castigado.

- Ai a minha vida, também tu? Estou lixado com isto estou, devem andar a criar alguma organização do tipo “ Todos contra o Ruben” – frisou estas últimas palavras esticando as mãos e movimentou-as como se estivesse a colocar um título no ar.

- Acho que fica melhor “ Corre, Amorim, corre.”

O Ruben se pudesse, tinha-me fuzilado com o olhar, os outros dois por sua vez acompanharam-me nas gargalhadas.

 

Paramos numa pastelaria, e lanchamos por lá. O fim de tarde, estava calmo e ameno o que nos proporcionou um lanche agradável numa esplanada. Algumas pessoas, interrompiam o lanche para pedir autógrafos e fotografias, mas nenhuma fã histérica, apenas pessoas com crianças ou mesmo adolescentes. Eles claro está, mostraram felicidade e responderam a todos os pedidos. Todos eles mostravam determinação em honrar o nome e o clube que representavam, e eu acredito piamente que é esta época (2009/2010) que o Benfica vai ser campeão.

No fim do lanche, Fábio, Ruben e David entraram numa discussão sobre quem pagaria, mas no final nenhum venceu, pois com a desculpa que iria a casa de banho, paguei o lanche.

 

- Pago eu, e não se fala mais nisso – dizia Ruben.
- Quem paga sou eu, o próximo paga um de vocês. – insistia Fábio.

- Malta, quem vai paga o lanche sou eu, sem discussão pow.

- E se acalmassem um bocadinho?! Não era nada má ideia, o lanche já está pago, casmurros!


Depois de os ouvir dizer que eu não devia ter pago e a típica conversa do costume, fomos em direcção aos carros. Fábio e Ruben pararam para dar autógrafos a uma menina que não devia ter mais de seis anos. David, esse tinha recebido uma chamada, e quando desligou a menina já tinha ido embora e os outros dois vinham agora na minha direcção, antes que eles estivessem suficientemente perto para ouvir David meteu conversa:

- O jantar continua combinado? – disse disfarçadamente, colocando-se na minha esquerda e de olhar dirigido para a frente.
- Se assim quiseres …
- Quando acha que cê pode?

- Durante a semana é complicado, por causa das aulas … mas por mim é quando tu puderes.
- Depois de amanhã? – disse agora de olhos postos em mim.
- Pode ser – admiti sorrindo.
- Eu passo pela casa do Fábio, se você não se importar.
- Não claro que não. Obrigada.

- Não precisa agradecer .

 

 

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