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Sweet Nothing

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Qua | 24.11.10

Dreams of Love - Capítulo II - Flashbacks

Olá leitores, como o primeiro capítulo recebeu tantas opiniões positivas deixo-vos com mais um. Espero que gostem e no fim já sabem, conto com a vossa opinião.

 

 

II- Flashbacks

 

A minha visita há capital estava prestes a chegar ao fim, e o motivo pela qual ela foi realizada tinha, mais tarde ou mais cedo, de ser revelado. Os meus pais tinham me dado uma semana para contar tudo ao meu primo, ou seja deixaram a pior parte para mim. Os meus tios, pais de Fábio, já sabiam da situação mas, advertiram-me para que fosse eu a dizer ao meu primo pois não era justo que ele soubesse por outras pessoas. Fábio, o meu Fábio, sempre me tinha tratado como uma irmã mais nova, era a sua menina. Por vezes, conseguia ser mais protector do que um pai e estava-lhe grata por isso. Sempre fora o meu confidente, o meu melhor amigo, resumindo o meu ponto de abrigo. Falávamos todos os dias, algumas das vezes ficávamos horas há conversa a contar os acontecimentos do dia, as novidades, as alegrias e as tristezas que nos tinham acontecido desde o último telefonema ou mensagem recebida. Andreia também se tinha tornado uma irmã para mim, aquela que nunca tive. O meu primo não podia ter escolhido melhor, e nesta última semana oportunidades para confirmar esse facto não me faltavam.

  • Inicio do Flashback

Último dia em Lisboa, inicio de noite. Estava com o Fábio, a Andreia o Rúben, em casa a saborear o jantar delicioso que Andreia tinha preparado. De todo o plantel encarnado, o Rúben foi o único que conheci (pois nem todos estavam em Lisboa, e com a pausa no campeonato muitos aproveitaram para matar saudades da família ou descansar longe da cidade).Tornou-se um dos meus melhores amigos, pela sua simplicidade e simpatia desde o primeiro minuto da sua companhia, parecia que nos conhecíamos há anos. Éramos muito ligados e durante o jantar ele e Fábio notaram que eu estava distante, lembro-me como se fosse hoje:

- Hey miúda, o que se passa contigo? – Perguntou o Rúben, sentado de frente para mim.

- Sim prima, tu hoje não estás bem. – Continuou Fábio. – E não me digas que não é nada, porque já te conheço desde pequena e até o Rúben reparou.

- Pois, nota-se assim tanto? – Perguntei eu.

Não precisei de ouvir as suas respostas, percebi o que o olhar de Andreia me queria dizer. Ela já sabia da situação e incentivou-me a contar o que se passava, afinal mais tarde ou mais cedo eles tinham de saber. Como estavam lá os dois, pouparia o discurso e as lágrimas que de certeza apareceriam durante o mesmo.

- Eu vou-me embora de Portugal … - disse de uma maneira atrapalhada e rápida.

- Eu não ouvi bem, pois não? – disse o meu primo. – Isto é tudo uma brincadeira, não é Mariana?

Abanei a cabeça negativamente, e uma lágrima caiu sobre a minha cara ia ser mais difícil do que eu pensava.

- Os meus pais aceitaram uma proposta de trabalho na Suíça, - comecei a falar com vários intervalos por causa das lágrimas que me escorriam pela cara – e eu vou ter de ir com eles.

- Mariana, queres que eu fale com os teus pais, tu podes ficar em nossa casa … - disse Andreia. Rúben ainda não tinha dito nada, mas o seu olhar estava triste tal como o de Fábio.

- Não Andreia, não dá. Os pais do Fábio já tentaram falar com eles para que eu ficasse com eles, mas os meus pais não quiseram. Não à volta a dar …

- Os meus pais já sabiam e não me contaram absolutamente nada?

- Eles quiseram que fosse eu própria a contar … - as lágrimas e os soluços impediram-me de continuar, por isso abandonei a mesa e dirigi-me ao jardim. Eu não podia ficar ali, não gostava de mostrar parte fraca e abandonar as pessoas que gostamos nunca é fácil. A Cátia e a Vera já sabiam da minha ida para a Suíça, acima de tudo apoiaram-me pois sabiam que os meus pais não me iam deixar ficar sozinha no Porto ou em Lisboa com o Fábio, e também sabiam que depois do que o João me fez, sair do país e manter-me afastada daquele canalha ia ser a melhor coisa para mim. Caminhei para longe da porta de acesso à sala de jantar, apesar de tudo compreendi o que o Fábio estava a sentir, atraiçoado e revoltado por ser o último a saber das coisas. Fiquei ali quieta e sozinha a encarar a lua que nessa noite estava cheia e iluminava a noite lisboeta. Senti a porta que há minutos atrás tinha passado a ser aberta novamente, era o Fábio, caminhou em silêncio até ao meu encontro e sentou-se na relva ao meu lado esquerdo.

- Desculpa querida, eu sei que está a ser difícil para ti. Desculpa …

- Fábio, porque é que eles me estragam sempre a vida? Porquê?

- Mariana, os teus pais não fazem por mal, eles só querem o teu bem e neste momento talvez ires embora daqui por uns tempos te faça bem. Vais conhecer pessoas novas, vais fazer novos amizades e talvez esqueças os problemas que te continuam a assombrar essa cabecinha. – Disse ao passar-me a mão no cabelo. – Apesar de tudo, eu compreendo os teus pais, eles já notaram que tu não estás bem, e eles têm razão tu não podes ficar sozinha no Porto e sempre é melhor ires com eles. – tentei interrompe-lo para me manifestar mas ele continuou o seu discurso. – E não penses que te livras aqui do primo, vais ter telefonemas meus e da Andreia todos os dias, não é por estares mais longe que te esquecemos.

Não consegui dizer nada e instintivamente abracei-o. Nisto, o Ruben e a Andreia apareceram na porta, recompus-me, lancei um sorriso ao Fábio e voltamos para a sala. O Ruben animou-me logo e também me garantiu que me ia ligar montes de vezes.

- Tu agora és tipo uma mana mais nova – disse o Ruben.

- Okay, então eu não me posso portal mal, não é maninho? – disse ironizando a palavra “maninho”.

- Isso está fora de questão – disse imitando uma voz mais “ forte”. – Era o que me faltava agora, acartar com os teus disparates, já me basta aturar os do “mano”.

Devo ter feito uma cara super confusa, pois eles começaram se a rir e a Andreia saiu em minha defesa.

- Mariana, o “mano” a que o Ruben se referiu é o David, – oh pá sou mesmo parva, o menino dos caracóis, por quem as benfiquistas se babam. – o David Luis, aquele dos caracóis.

- Sim já sei quem é. Eu pensava que isso não passava de mais uma das mentiras da comunicação social.

- Nem tudo o que esses “melgas” dizem é mentira, mana. – Retorquiu o Ruben.

  • Fim do Flashback

 

 

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