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Sweet Nothing

Sweet Nothing

Qui | 16.08.12

One-Shot - Breathe

Aviso: Coloquem em pausa o leitor de música que se encontra no fundo do blogue, e leiam esta one-shot com a música que se encontra neste post.

 

Como tinha ficado prometido e em seguimento deste post, aqui se encontra o primeiro pedido.

O meu pedido de desculpas fica desde já expresso pois sei que esta one-shot não é um dos meus melhores trabalhos, espero não desiludir muito a menina que me fez o pedido e os restantes leitores.

 

 

One-Shot - Breathe.

 

Emily e Joshua já não representavam o casal jovem e feliz da cidade, como em tempos tinham feito. Desde que se mudaram para o mesmo apartamento e passaram a partilhar um com o outro a totalidade dos seus dias, as coisas não estavam a resultar. As discussões eram frequentes, os desentendimentos surgiam pelas coisas mais simples. Tudo tinha mudado. Para Emily, habituada a uma familia calma e a um ambiente pacífico, esta mudança era um autêntico caos. Começava agora a perceber o motivo pelo qual os pais não aceitavam, de bom agrado, o facto da sua filha mais nova – de apenas vinte e um anos – ter saído de casa para partilhar um apartamento com Joshua. Ninguém da sua família tinha aceitado a sua decisão e a única pessoa com quem Emily podia partilhar os seus problemas, morava a mais de mil quilómetros de distância.

 Depois de secar as lágrimas que teimavam em percorrer o seu rosto juvenil, Emily marcou muito rapidamente o número que tão bem conhecia. Enquanto esperava que Pietro atendesse a chamada recordou o momento em que o tinha conhecido: o melhor verão da sua juventude. O Verão de 2009 tinha ficado marcado na sua memória como o melhor de sempre, pelo simples facto de não só ter feito a viagem dos seus sonhos mas de ter trazido de Itália mais do que uma simples fotografia. O seu melhor amigo Pietro. Do outro lado da linha, interrompendo os pensamentos de Emily, a voz de Pietro soou:

 

- O que é que ele fez desta vez, Em? – A maneira como a pergunta fora formulada poderia levar qualquer um a pensar que transmitia uma arrogância enorme, porém, Emily sabia que o tom utilizado por Pietro era de preocupação, de carinho.

 

- Desta vez não foi ele que fez asneira. Fui eu, Pietro. – Culpou-se. – Achas que me podes ajudar a resolver o problema?

 

- Podes começar a falar, acabei mesmo agora de encher a caneca com leite quente. – Leite simples, sem qualquer tipo de adoçante, sempre fora a bebida favorita daquele italiano.

 

- Eu disse-lhe que já não o amava. Eu menti. – Confessou, relembrando o momento que antecedera a discussão daquela noite. – Eu disse-lhe, Pietro. – Vendo que o seu melhor amigo não tinha qualquer resposta para o que acabara de lhe ser dito, Emily continuou: - Estou farta, estou simplesmente cansada de entrar na mercearia e ver os olhos postos em mim, e depois de sair sei que ficam a “cortar” nas minhas costas…

 

Pietro, interrompeu-a: - São uns hipócritas, já devias saber como funcionam as cidades pequenas. Toda a gente fala de toda a gente, por mais que tentes ser perfeita têm sempre um dedo a apontar-te. – Emily continuou a lamentar-se a contar o que tinha vindo a acontecer na sua vida. – Em, tu ainda tens uma vida pela frente. Eu sei que queres voltar atrás, mas não podes. Por mais que inventem novas tecnologias nunca vão poder criar um botão de retroceder, sabes o que tens a fazer? Reflectir sobre o que fizeste e continuar a suportar.

 

- Pietro, eu não sou capaz …

 

- És sim, Emily Adams. És capaz disso e muito mais, basta repensares as tuas ações e continuar a seguir com a tua vida. Respira fundo, e acalma-te. – Depois de proferida esta última frase, ambos sabiam o que seguia. O fim da chamada, sem que se despedissem. Ambos sabiam que não precisavam disso, pois muito em breve Emily voltaria a ligar-lhe.

 

(…)

 

Como previsto, várias chamadas telefónicas preenchiam a pequena casa de Pietro. Ele não se importava que Emily ligasse durante a madrugada, pois o italiano sempre sofrera de graves insónias. Ajudar a melhor amiga mantinha-lhe a cabeça ocupada, e fazia com que o engenheiro se sentisse útil. Os telefonemas passaram de semanais a mensais, as coisas entre Emily e Joshua – de quem Pietro não gostava- estavam agora a melhorar. Porém, Joshua tinha adquirido um novo vício: a bebida. Por sorte, não se tornara violento mas as palavras que proferia enquanto conversava/discutia com Emily, magoavam-na mais do que se tivesse sido atingida por um chicote. Por mais que Pietro quisesse ajudar, a única coisa que poderia fazer era confortar a amiga. Como? Dizendo-lhe que aguenta-se, que as coisas iam melhorar e que dentro de pouco tempo ela e Joshua seriam o casal perfeito. Pietro duvidava que as coisas acontecessem como ele lhe dizia mas, o que poderia ele dizer? Não poderia incentivar Emily a desistir: ela amava Joshua. Pietro amava Emily, e por mais que lhe custasse admitir, Em conseguia ser feliz com Joshua. Com o passar dos anos, Pietro seria sempre a luz ao fundo do túnel para Emily. A sua única esperança, o seu único motivo para continuar a respirar fundo e a aguentar.

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