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Sweet Nothing

Sweet Nothing

Qua | 25.07.12

Before you leave me - Capítulo XIII

Hoje deu-me imensa vontade de escrever, e por isso aqui vos deixo outro capítulo. Este é dos grandes e até eu estou surpreendida com o tamanho do mesmo. Espero que gostem, e se possível comentem.

 

 Depois de uma vitória algo confortável a equipa da escola apurou-se para as regionais e como era de esperar, a festa foi enorme. Um rapaz bastante alto e de cabelo ruivo que eu apenas conhecia de vista acabou por vencer o prémio de melhor exibição mas, este por sua vez resolveu dá-lo a Harry – que tinha marcado a maioria dos cestos. Tinha ficado combinado na noite anterior que, independentemente do resultado do jogo, Harry iria jantar lá a casa e por esse mesmo motivo eu, Niall e Mary ficamos à espera que as “duas estrelas” se despachassem. Várias pessoas abandonavam o recinto escolar e eu limitava-me a segui-las com o olhar e sorrir para aquelas que conhecia. Niall e Mary conversavam animadamente entre si, e por mais que tentassem disfarçar, de cada vez que um deles sorria o olhar do outro brilhava.

 

- Então meninos, não dão os parabéns aqui aos jogadores pela excelente vitória conseguida? – Harry vinha bem-disposto e com um sorriso contagiante no rosto.

 

- Aleluia, estava a ver que tinha de entrar pelo balneário e arrancar-vos de lá por uma orelha. – Mary era bastante impaciente, pensando bem, eles não tinham demorado assim tanto tempo.

 

- Arriscavas-te a ver metade da equipa a tomar banho e outros tantos em toalha mas tu lá sabes quais são as tuas necessidades. – Gozou Harry, mexendo no seu cabelo chocolate ainda molhado.

 

- Ali o Niall é que era capaz de não achar muita piada… - Zayn tinha chegado ao pé dos nós ao mesmo tempo que Harry e foi dificil controlar o desejo que sentia de lhe segurar a mão e beijá-lo ali mesmo, sem me importar com os restantes alunos que passavam, em forma de congratulação pelo jogo excelente que fez. Em vez disso, limitei-me a dar-lhe uma cotovelada depois de ouvir a provocação que o moreno tinha feito em relação ao loirinho do grupo.

 

- E se fôssemos andando para casa? Já está a ficar tarde meninos … - interrompi tentando salvar Mary de ficar ainda mais “encavacada” do que já se encontrava.

 

 Assim fizemos, Mary e eu seguimos um pouco na frente dos rapazes que vinham a discutir entre si de forma animada, fazendo uma espécie de rescaldo do jogo. Eu tinha de arranjar maneira de juntar Mary e Niall, ou pelo menos, de os fazer perceber que o que sintam um pelo outro era correspondido. Nem era tarde nem era cedo, aproveitando o facto de Harry jantar lá em casa iria abordar o assunto com os rapazes. Afinal de contas, eles conheciam Mary e Niall há mais tempo que eu logo, seria mais fácil para eles terem uma ideia. Mary foi a primeira a deixar o grupo e depois de se despedir de cada um de nós com dois beijinhos entrou em casa. Seguiu-se Niall e passados poucos minutos, tanto eu como Harry e Zayn estávamos a entrar em casa para jantar.

 Pousei a mala castanha no hall de entrada e depois de pendurar o casaco segui, sozinha, em direcção à cozinha. Á medida que me aproximava daquela divisão um cheiro maravilhoso percorreu o ar até ser perceptível às minhas narinas. Rosalie tinha de facto umas mãos de oiro para a cozinha. Encostei-me à ombreira da porta observando-a a cumprir os passos que ela tão bem conhecia para confeccionar uma refeição digna de um banquete real. Não me era possível expressar em palavras toda a gratidão que nutria tanto por Rose como por Charles. O simples facto de terem procurado um adolescente para adoptar aumentava a minha consideração por eles mas, o que realmente me fazia nutrir todo aquele sentimento, era o facto de desde o primeiro minuto em que a minha presença se fizera sentir no aconchego do seu lar eu fazia parte da família.  Não era uma estranha, não era deixada de parte. E isso tornava tudo mais fácil. Estava com eles há pouco mais de dois meses e sentia-me bem dentro daquele núcleo, sentia-me como se aquele lugar me tivesse pertencido.

 

- Oh querida, - aquele tom doce e maternal viajou até aos meus ouvidos assim que os olhos de Rose notaram a minha presença – não dei por vocês entrarem. Como é que correu o jogo?

 

- Muito bem, passamos às regionais. – Clamei com satisfação na voz. – O Zayn jogou muito bem e o Harry foi o melhor marcador em campo.

 

- Ainda bem que correu tudo bem. Vieste sozinha? – Eu e Rose mantínhamos a conversa há medida que ambas nos passeávamos pela cozinha, enquanto ela ultimava os preparativos para o jantar eu começava a preparar a loiça para depois a transportar para a sala de jantar.

 

- Não, eles vieram comigo mas “fisgaram-se” para a sala e eu vim ter contigo. – Expliquei, e depois de Rose me dizer que os ias felicitar pela vitória segui para a sala de jantar para colocar a mesa.

 

Enquanto colocava o último copo no seu devido lugar, umas mãos familiares caíram nos meus ombros. Ao rodar sobre o meu próprio corpo dei de caras com Zayn. Este não esperou muito mais até unir os seus lábios aos meus, e mais uma vez nada mais importou. Só despertei para a realidade quando nos separamos e me apercebi que não estávamos sozinhos em casa.

 

- Tu és doido, e se a Rose nos visse?

 

- Ela ficou a falar com o Harry e ele sabe muito bem que quando disse que te vinha ajudar, não era bem isso que eu tinha em mente. – Sorri perante o à-vontade que o moreno demonstrou. – Ainda não me tinhas dado o meu beijinho de parabéns…

 

- Não foste o melhor jogador, por isso achei que não merecesses … - Brinquei.

 

- Ai é? Então porque é que não vais ter com o Hazza para lhe dar o “beijinho de parabéns” – a voz de Zayn saiu carregada de ironia e com um tom ciumento, que me derreteu o coração.

 

- Porque eu prefiro milhões de vezes mais, um moreno de cabelo desalinhado ciumento a um rapaz de olhos verdes e de cachos castanhos.

 

- Eu não estou ciumento… - foi a única frase proferida antes de voltarmos a unir os nossos lábios.

 

(…)

 

O jantar ia já a meio quando a campainha tocou. Rose foi interrompida por Charles, assim que iniciava o movimento para se levantar e se dirigir até à porta, e foi o homem da casa quem abriu a porta. Harry e Zayn conversavam alegremente com Rose mas algo me dizia que a pessoa que tinha tocado à campainha iria trazer problemas.

 

- Quem era, pai? – Assim que Charles se aproximou da entrada, Zayn não conteve a sua curiosidade.

 

- Colbie, é para ti. – Mostrei-me surpresa pois não costumava receber pessoas sem as ter convidado. – É o Daniel Steves, ele não quis entrar disse que era rápido e que não valia a pena.

 

Assim que o nome de Danny soou da boca de Charles, o meu estômago revirou-se. O meu olhar recaiu sobre Zayn e depois sobre Harry. Zayn tinha largado os talheres e mantinha a cabeça baixa enquanto Harry tinha os olhos esbugalhados. A custo, consegui proferir: - Com licença, eu volto já!

Aproximei-me um pouco receosa da porta, a sua visita não manifestava nada de bom. Pelo menos, era isso que eu sentia. Assim que abri um pouco mais a porta de entrada, vi-o. Danny envergava uma camisa axadrezada de tons claros e umas calças de ganga escura. O cabelo apresentava o seu penteado habitual com um pouco de gel.

 

- Boa noite, Colbie! – A voz dele saiu de forma natural.

 

- Boa noite, Danny. Passa-se alguma coisa? – Quanto mais depressa eu soubesse o motivo da sua vinda, mais depressa ele se iria embora e mais rapidamente voltava para junto de Zayn e dos restantes.

 

- Escusas de estar tão nervosa, o que eu tenho para te dizer é muito simples e resume-se a duas palavras: Eu. Sei. – Disse-me pausadamente as suas duas últimas palavras.

 

- Hãn? Sabes? Mas sabes o quê, Daniel? – A minha voz transparecia uma preocupação notória.

 

- Sei que andas envolvida com o Zayn e sei que dentro de um mês podes ser adoptada… ou não. Agora diz-me, a Rosalie e o Charles aceitam a essa vossa relação amorosa? Ou para eles, vocês fazem o teatro de irmãozinhos? – Naquele momento foi como o meu mundo inteiro desabasse.

 

Ele sabia. Ele sabia e isso não significava nada de bom. – Deviam ter mais cuidado com os sítios que escolhem para estarem juntos.

 

- Danny sai daqui... Já disseste o que tinhas a dizer, agora por favor eu quero continuar o que estava a fazer. – As minhas palavras saíram um tanto ou quanto atrapalhadas, mas tinha a firme certeza que tinha sido clara.

 

- Não vale a pena estares assim, Colbie. Eu não faço intenções de espalhar isto pela cidade inteira mas, posso usar isto a meu favor quando mais precisar. – Fechei os olhos à medida que ouvia a sua voz. – Não te devias preocupar comigo, durante as próximas semanas serei o menor dos teus problemas. Adeus Colbie, continuação de bom jantar.

 

Fechei a porta e encostei-me à mesma. Respirei fundo repetidamente, tentando acalmar-me para voltar à sala de jantar nas melhores condições. Quando me senti minimamente preparada, voltei a ocupar o lugar na mesa de jantar. A cabeça de Zayn mantinha-se na mesma posição que se encontrava quando abandonei a sala de jantar mas, os talheres voltavam ocupar as suas mãos. Harry olhou-me de maneira preocupada mas esforçou-se para manter a conversa.

 

- O que é que ele queria, querida? – Foi a voz de Rose que perguntou o que, todos ou quase todos, desejavam saber.

 

- Entregar um recado que a prima dele me queria dar por causa de um trabalho. – Odiava mentir, principalmente a Rose e a Charles mas aquela tinha sido a melhor desculpa que podia ter encontrado.

 

O jantar terminou cerca de meia hora depois, e durante o que restou do mesmo a minha voz não preencheu o ar muitas vezes. Harry esforçava-se para que Zayn não desse “bandeira” e descrevia alguns momentos do jogo pedindo sempre a sua colaboração.

 

(…)

 

- Adeus tia, obrigada pelo jantar. Estava delicioso como sempre, e obrigada por ter feito o bolo de bolacha. – Harry despedia-se de Rose e Charles, agradecendo-lhe todo o carinho. – Adeus tio, e já sabe tem de ir ver o nosso próximo jogo.

 

- Oh meu querido, desde criança que aquele bolo é o teu favorito e não me custa nada dar-te uns mimos de vez em quando. – Respondeu-lhe Rose.

 

(…)

 

Com alguma insistência da minha parte, acabei por lavar a loiça do jantar. Rosalie bem tentou insistir dizendo que era muita e que era melhor coloca-la na máquina de lavar. Não aceitei e pouco tempo depois, Rose e Charles dirigiram-se para o seu quarto. Lavar e limpar a loiça mantinha a minha cabeça ocupada, caso não o fizesse o mais provável era desabar completamente. Zayn assim que o jantar terminou, com a desculpa que estava descansado por causa do jogo, dirigiu-se para o quarto.

 

Eram duas da manhã quando acabei de arrumar a loiça nos armários e me dirigi escadas acima para o meu quarto. Assim que acabei de vestir o pijama sentei-me na cama e passei as mãos pela cara. Aquilo não me estava a acontecer. Eu precisava de saber se Zayn estava magoado comigo. Tinha de lhe explicar que não tivera outra alternativa a não ser falar com Danny, pois Rose e Charles não sabiam que ele era o responsável pelo passado sofrimento do filho. Assim que senti as lágrimas a marejarem-me os meus olhos, abandonei o quarto e segui até ao de Zayn. Bati levemente à porta e a sua voz rouca deu-me permissão para entrar. Reparei que a cama ainda não tinha sido desfeita e o tapete do quarto estava totalmente desalinhado – sinal que, desde que chegara ao quarto, Zayn tinha andando de um lado para o outro. Assim que os olhos avelã de Zayn encararam os meus olhos verdes, senti pequenas gotas de água brotarem dos mesmos e percorrem o meu rosto. Em menos de nada, o meu corpo era apertado carinhosamente pelos braços de Zayn. Uma das mãos continuava a exercer força sobre as minhas costas enquanto outra afagava os meus cabelos. Assim que todo o meu corpo parou de tremer e que as lágrimas cessaram, Zayn pegou-me na mão e deitou-se sob a cama. Aconcheguei-me no seu peito desnudo, e mais uma vez o moreno para me acalmar mexeu-me cabelo. Deixamo-nos estar assim durante algum tempo, até que ele tomou coragem e perguntou:

 

- O que é que ele queria?

 

- Ele sabe de nós, Zayn. Ele sabe… - assim que proferi estas palavras, o choro voltou.

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