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Sweet Nothing

Sweet Nothing

Sab | 23.06.12

Before you leave me - Capítulo X

Eu tinha pensado em vir publicar o capítulo ontem mas não estive muito tempo por aqui e depois de o reler ainda fiz algumas alterações. Se quiserem saber, mais numa de curiosidade, escrevi o capítulo ao som desta música. Como sempre espero que gostem do capítulo e sempre que possível que me deixem a vossa reação através de um comentário. Significa muito mesmo. Obrigada desde já!

 

O que se tinha passado na cozinha não me tinha desaparecido da mente desde que Zayn saíra. Não havia motivos para eu estar assim. Ele tinha agido por impulso e nem se apercebera do que tinha feito. Secalhar, o facto de sermos tão próximos englobava destas coisas. Eu era sua "irmã" e queria acreditar que os irmãos tinham esta troca de carinhos ... Não, não tinham. Nem agora nem nunca e se têm, não é com uma carga sentimental tão grande.

 

- Já chega! – O lápis de carvão, de tom mais escuro, voou da mão de Mary para o tampo da secretária de estudo do meu quarto. – Eu não consigo analisar a porcaria do poema, tinha sido mais fácil ir a um cardiologista ver do que era a dor no coração mas não, em vez disso, escreve-se um poema como se a dor acalmasse.

 

A minha resposta saiu vaga e, estranhamente, não achei piada ao que Mary tinha tido: - Pois ...

 

- O que se passa, Colbie? – Mary fechou os dois dicionários que se encontravam diante dela e acabou também por fechar o livro da disciplina. – Estás distante, quando cheguei fartei-me de te chamar e só quando te belisquei é que acordaste e agora estás para aí no teu mundo.

 

O meu corpo ergueu-se da cadeira que ocupava, levei as mãos ao cabelo afastando-o dos olhos: - Sabes quando ficas toda nervosa sem motivo algum? Quando sentes borboletas na barriga por causa de um mero toque? Quando só te sentes bem com uma pessoa? – Mary tentou acompanhar o meu raciocínio mas de cada vez que tentava responder eu levantava mais questões: - Quando adormeces a pensar numa conversa? E dás por ti a sonhar com essa pessoa? A ouvir músicas que essa outra pessoa gosta? Quando ...

 

- Hey, calma aí! – O peso das mãos de Mary exerceu força sobre os meus ombros e acabei com o meu corpo sentado na cama de casal. – Demasiadas perguntas, e eu tenho apenas uma resposta.

 

- Mary não te armes em esperta, isto está a dar comigo em doida! – Pedi.

 

- Sei, sei o que estás a sentir. E sabes o que costumam chamar a isso? – Neguei, mentindo. – Amor. Eles costumavam chamar isso de amor.

 

- Mas não é ... - levantei-me e andei aos círculos pelo quarto com os olhos de Mary pregados em mim. – Não pode ser, entendes? Eu não posso estar a apaixonar-me, é impossível. Não pode ser, isto não pode acontecer.

 

- E porquê? – Perguntou a minha maior confidente.

 

- Porque simplesmente .... Simplesmente isto não pode estar a acontecer.

 

- Isso não é razão, não é justificação minimamente plausível. – Mary ocupou o lugar onde eu me tinha sentado há minutos atrás e só depois de me voltar a sentar é que continuou o seu discurso. – Qual é o mal de te apaixonares? Não lhe chamam o melhor sentimento do mundo? Não lhe chamam o estado de prazer que mais felicidade trás? Não é através do amor que todas as coisas são feitas? Hum? – Suspirei. – De quem estamos a falar?

 

- Eu não estou apaixonada, eu não posso estar. – Repeti, mais para me convencer do que dizia. – Mary, promete-me que isto não sai daqui.

 

- Mas estás parva, ou quê? Neste momento és a minha maior amiga, é claro que isto não sai daqui. – Mary era isso mesmo, um túmulo que ninguém conseguia abrir. – Eu acho que sei quem é ... mas só acredito quando ouvir da tua boca. Quem é que está a baralhar essa cabecinha?

 

- O Zayn ... - bradei em tom baixo.

 

- Eu sabia ... - Os cantos da boca de Mary ergueram-se depois de eu confirmar as suas suspeitas.

 

- Isto não tem piada, e não é caso para estares toda contente. Isto é sério. – As atitudes da rapariga de cabelos pretos começavam-me a deixar os nervos em franja.

 

- Eu sei que é sério, e a cada dia que passa mais sério vai ficar. E sabes porquê? Porque a cada dia que passa o Zayn mostra-te a maravilhosa pessoa que é, abre-se contigo como nunca o fez connosco. – A mão de Mary tocou na minha. – Desde que chegaste, desde que fazes parte do grupo ... O Zayn voltou a ser o nosso Zayn. – As palavras de Mary eram de uma sinceridade tal que me faziam arrepiar. Seria verdade? Seria verdade que Zayn era puro comigo, como não o era com mais ninguém? – Acho que a única pessoa que sempre soube distinguir o Zayn foi o Harry e por isso é que eles são como irmãos desde pequenos, basicamente cresceram juntos. Quando aquilo aconteceu à Kate ... ficámos todos muito em baixo mas nada se compara ao que o Zayn sentiu. Mudou do dia para a noite, já não era o nosso Zayn. O Harry chegou mesmo a dormir à porta do quarto dele até que, depois de o ver assim o Zayn resolveu voltar a sair de casa. Só passada uma semana é que ele começou a entrar novamente nas rotinas.

 

Fiquei surpreendida com o que Mary me contava e mais uma vez foi-me permitida constatar que os laços afectivos que uniam Harry e Zayn, eram capazes de tudo e nada os poderia separar.

 

- Mas Mary .... – Supliquei.

 

- Nem Mary nem meia Mary, ouve-me até ao fim. – Mary era teimosa, muito teimosa. – Como eu estava a dizer, só o Harry é que conhece verdadeiramente o Zayn. Quando tu chegaste nós soubemos que o Zayn não agiu muito bem contigo porque, quando olhou para ti lembrou-se da Kate. É surpreendente como os teus olhos e o teu sorriso são parecidos aos dela... - confidenciou-me, deixando-me ainda mais nervosa. – O Zayn, na noite em que chegaste, foi para casa do Harry e contou-lhe tudo. O Harry assumiu o papel de melhor amigo e fê-lo ver que tinha sido injusto para contigo. Quando te conhecemos, percebemos o porquê do Zayn ter agido como agiu ... mas também ficou clara uma coisa. Sabes o quê? – Neguei com a cabeça. – Que tu irias mudar o Zayn. Não me perguntes como mas, quando tu e ele vieram para casa depois de terem passado o dia junto de nós, todos comentamos que tu eras especial. Nessa noite, o Zayn ligou-me a perguntar o que tinha achado de ti, ligou também para o Niall e para o Liam: todos lhe dissemos a mesma coisa. Tu és especial, Colbie.

 

- É claro que não sou especial, nem coisa que se pareça. – Reclamei. – Eu sou apenas ... eu.

 

- Lá está, mas é isso que te torna especial. Colbie, olha para mim. – Fiz o que me pediu. – O Zayn está tão, ou mais, confuso que tu. Ele tem as mesmas dúvidas e não sabe o que fazer. Sabes o que o Harry lhe disse? Para que não desistisse daquilo que sente, que seguisse o coração. É isso mesmo que eu te vou dizer... o que é que o teu coração diz? Para te entregares ao Zayn? Então fá-lo. Colbie, eu não sei metade da tua vida e nem é minha intenção saber mas, nota-se que há aí um sofrimento que não foi ultrapassado. É o Zayn que te faz feliz, neste momento? – Não lhe respondi. – Colbie, é ou não? Só preciso de uma resposta.

 

Suspirei profundamente, a pouco e pouco, as palavras de Mary estavam a fazer sentido na minha cabeça. Acenei afirmativamente com a cabeça.

 

- Colbie, é ou não é? – Voltou a perguntar-me.

 

- É. – Admiti.

 

- Se queres a minha opinião ... Neste mês e meio que te resta até seres adoptada por favor, tenta ser feliz e se gostas do Zayn volta a colocar-lhe aquele sorriso bonito no rosto. – O olhar de Mary tornou-se brilhante devido ao mar de lágrimas que se tinha formado nos seus olhos. – O que eu mais quero é ver-te feliz, eu sei que sofreste muito. Eu preciso do meu amigo Zayn, tal como ele era. E ... se fores tu a única que o consegue voltar a mudar, por favor fá-lo. – Nesta altura, já as lágrimas percorriam as bochechas de Mary e o meu rosto encontrava-se igualmente molhado. – A minha avó costuma dizer: as nossas melhores ações são aquelas em que o nosso coração é o ditador.

 

Era dificil ouvir aquelas palavras. De todas as vezes que me tinham dito para seguir o meu coração, nunca o tinha feito. Acabara sempre magoada. E se desta vez seguisse o coração e o resultado fosse o mesmo?

 

- E se sair magoada? – Perguntei-lhe.

 

- Pelo menos sais de consciência tranquila. Tentaste. – Respondeu-me envolvendo-me nos seus braços.

 

Após aquela conversa e de nos acalmarmos, voltamos ao trabalho. Depois de uma hora a analisar e a dar a nossa opinião sobre os quatro poemas que nos tinham sido fornecidos, terminamos. Mary voltou-me a aconselhar: "segue o teu coração".
Encomendei uma pizza média de fiambre e queijo para o jantar, Zayn deveria estar a chegar. O telefone fixo tocou e depois de cinco minutos de conversa com Rose e Charles, desliguei. O tilintar que tão bem conhecia fez-se ouvir no hall de entrada. As chaves rodaram e a porta de entrada abriu. O meu corpo ergue-se do sofá e vai ao encontro do moreno que tinha acabado de chegar. Os olhos castanhos de Zayn encontram os meus. Como se de uma cena em câmara lenta se tratasse, as chaves de casa são poisadas ao acaso na mesinha de madeira antiga, perto da porta, e depois de leves passadas, realizadas por ambos, estávamos a poucos centímetros de distância. A mão direita de Zayn desviou os cabelos que teimavam em cobrir-me a face, e com um movimento suave colocou-os atrás da minha orelha. Um choque eléctrico percorreu o meu corpo, da cabeça aos pés, quando as mãos de Zayn ladearam a minha cintura, aproximando-nos ainda mais. A minha testa encostou-se à sua, as nossas respirações cruzavam-se de um modo irregular.
Outro arrepio percorreu o meu corpo quando Zayn sussurrou: - Eu estou tão confuso como tu mas tenho a certeza de uma coisa: eu sinto-me bem quando estou contigo.

 

- Eu também ... – Retorqui a custo. – O que sinto por ti, não é normal, é tão contraditório mas ao mesmo tempo é tão bom ... é tão perfeito.

 

- Eu nunca senti isto por alguém, eu nunca estive dependente de uma pessoa como estou de ti. Deixa-me tentar uma coisa ... eu preciso de fazê-lo, só para ter a certeza que não é uma mera atracção, que não é por impulso.

 

Milésimos de segundo depois, os lábios de Zayn encaixavam-se com os meus. Os movimentos surgiram de um modo tão natural e tão suave que parecia um ato ao qual estávamos habituados desde que nascêramos. De novo, as borboletas surgiram no meu estômago e uma certeza surgiu no meu coração: eu queria aquilo, tanto ou mais que Zayn.
Quando nos separamos, os olhos de Zayn penetravam os meus. Não fui capaz de dizer nada, apenas sorri e quando Zayn se preparava para falar voltei a colar os seus lábios aos meus. Naquele momento, um beijo substituiu todas as palavras.

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