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Sweet Nothing

Sweet Nothing

Sab | 19.05.12

Before you leave me - Capítulo VII

Desde Abril que não vos deixava um miminho no que toca a capítulos ... Peço desculpa pela demora mas, tem sido complicado. O número de visitas tem vindo a diminuir drasticamente assim como os comentários ... eu compreendo que a escola roube muito tempo mas quando passarem aqui, deixem pelo menos um comentário: percam um minuto, ou talvez menos. Obrigada !
(...)

Sete e meia da manhã, o maldito despertador já tinha tocado há dez minutos atrás mas o sono continuava a levar-me de novo para o mundo dos sonhos. Com apenas um movimento, um pouco atrapalhado, desliguei-o. Senti a porta do quarto de Zayn a abrir-se e três toques soaram na porta de madeira do meu quarto.

- Podes abrir. - Respondi, colocando a cabeça de fora dos lençóis para que Zayn ouvisse o que lhe dizia.

De imediato, a claridade que provinha do corredor invadiu aos poucos o meu quarto levando a que o meu corpo se voltasse a aninhar debaixo dos cobertores. Zayn, fechou a porta e abriu a preciana a menos de metade.
-Bom dia. - Saudou-me muito ensonado e deixou-se cair na minha cama.

- ' Dia. – Respondi-lhe com algum custo. – Temos mesmo de ir?

Zayn ergueu a cabeça e olhou-me com uma expressão bastante engraçada. Estava com uma cara de sono horrível e a minha figura não deveria ser melhor: - Parece que sim.

Sentimos Rose no andar debaixo e depressa ouvimos o seu tom de voz: - Meninos, despachem-se não podem chegar atrasados ao primeiro dia de aulas.

- Diz-me que eu não vou acordar todas as manhãs com berros assim? – Perguntei-lhe já com medo da resposta.

- Vais, é melhor habituares-te. Veste algo quente, parece que vai chover. – O moreno dos olhos castanhos ergueu o corpo da cama e esfregou a cara com as mãos. Subiu a preciana e voltou para junto de mim, dando-me um leve beijo de "bons dias". – Não te atrases muito, a Rose costuma trazer um copo com água quando nos vem chamar aos quartos.
Zayn saiu do quarto logo de seguida, e quando encarei o despertador, assustei-me. Abri o roupeiro e retirei as primeiras calças de ganga que encontrei, combinei-as com uma camisola que Charles me tinha oferecido e com um casaco bem quente. Depois de pronta, encontrei Rose na cozinha pronta para dar mais um dos seus chamamentos.

- Calma, Rose. Eu já estou aqui e o Zayn deve estar mesmo a descer. – Intervim antes que os meus ouvidos se queixassem. – Oh desculpa, bom dia.

- Bom dia minha querida, vá senta-te e come. Estás nervosa? – Perguntou-me muito descontraidamente sem nunca parar de "sarandear" pela cozinha.

- Confesso que pensei que estaria mais mas, estranhamente não estou nervosa. Pode ser que seja um bom presságio. – Exclamei certa das palavras que dizia.

- Bom dia, mãe.

- Bom dia, filho. – Rose era um pouco mais baixa que Zayn e para o cumprimentar quase que se punha em bicos de pés. – Essa carinha demonstra toda a tua animação para o ano escolar que aí vem.

(...)
O liceu era grande, era realmente grande. Era constituído por três pavilhões: um principal – que continha o átrio e todos os serviços normais de uma escola: cantina, bar, átrio, secretaria, casas de banho, direcção, sala de convívio, sala de professores, entre outros; um de aulas, e o pavilhão desportivo.

- Bom dia, flores do dia. – Harry apareceu atrás de nós e colocou os seus braços em volta do meu e do ombro de Zayn.

- Bom dia, coração. – Zayn e Harry tinham destes momentos, uma amizade muito próxima do romance que resultava nestes momentos deveras engraçados.

- Bom dia, Boo! – Harry e eu tínhamos adoptado nomes carinhosos um para o outro, e uma vez que na maior parte das vezes me chamavam 'Bie, ele era tratado por Boo.

- Pronta para conheceres o liceu? – Perguntou-me.
- Eu acho que sim... espero que sim.

- Vais gostar, a Mary é da tua turma por isso vais-te adaptar bem. – Harry era sempre assim, atencioso e preocupado. – Mano, temos de nos ir inscrever na equipa de basket.

- Podem ir, eu fico aqui à espera da Mary.

- Ficas bem? – Vários adolescentes passaram por nós, e quase todos vinham com um sorriso no rosto. – Nós não demoramos.

Zayn e Harry afastaram-se a passos largos, sentei-me num banco de pedra à entrada da escola assim poderia ver Mary. Os minutos passavam, e nenhum sinal nem dela nem de Niall. Enquanto esperava o menor dos meus desejos, concretizou-se: Danny entrou pelo portão da escola e viu-me.

- Ora então, bom dia .... – Danny era alto, loiro e aquele piercing em baixo do lábio ficava-lhe bem, muito bem até. – Colbie?

Apenas por me terem incutido boa educação, respondi-lhe: - Bom dia. Sim, é esse o meu nome.

Danny sorriu, tinha um sorriso bastante direito e encantador. Os seus olhos tinham um tom acinzentado e deviam mudar se a luz solar embatesse neles.

- Eu sei que não começamos bem ... - Daniel colocou as mãos nos bolsos das calças de ganga clara que envergava e balançou-se um pouco – Mas, como és nova aqui se precisares de alguma ajuda aqui na escola...

- Obrigada mas, já tenho quem me ajude.

Levantei-me e peguei na carteira castanha que possuía. Fui travada por Daniel, a sua mão interrompeu os meus movimentos prendendo-me o pulso: - Hey, não te vou fazer mal e não sei o que já ouviste de mim mas...

- Eu não tenho medo de ti, nem do que me possas fazer. – Respondi-lhe. – E não te preocupes que ainda não ouvi nada sobre ti. Não tenho interesse em saber. Agora larga-me porque eu não te dei confiança alguma para me tocares.

Num movimento brusco e repentino, soltei-me dele. Segui o meu caminho e depois de confirmar o horário dirigi-me até à sala onde teria a primeira aula.

(...)
- Bom dia, 'Bie. – Mary apareceu atrás de mim com um sorriso de orelha a orelha e deu-me um pequeno beijo na bochecha. – Desculpa, atrasei-me um pouco.

- Não faz mal Mary, bom dia. O Niall? Ainda não o vi hoje. – Constatei, tentando-me abstrair da cena que anteriormente tinha vivido.
- Também ainda não o vi, mas deve estar quase a chegar. O Zayn e o Harry?

- Foram inscrever-se no basquetebol.

Daniel passou no corredor acompanhado por mais dois rapazes e olhou-me, movimento que não passou despercebido a Mary: - Aquele palhaço deve ter perdido alguma coisa aqui.

- Esquece, ele só faz isso porque vocês lhe dão importância e sabe que vocês não gostam. – Dirigi-me a Mary num tom que nem eu própria reconhecia em mim. – Desculpa mas, vocês estão sempre a avisar-me para eu ter cuidado com ele e quando chega a hora de me dizerem porque raio é que eu devo ter cuidado, não me dizem.

- É complicado, e o que ele fez não foi directamente ao grupo todo mas acabou por nos afectar.

- Deixem-se disso, pelo amor de deus. Qual é o problema de me contares o que se passou, Mary? – Estava a ficar farta daquilo. – A sério, não percebo.

- O Zayn é quem te deve contar, não eu.

- Quando é que ele vai fazer isso?

- Isso é com ele, a sério Colbie sou a primeira pessoa a querer contar-te mas prometi ao Zayn que o deixava fazer isso.

- Como queiram ...

Niall chegou entretanto e a conversa terminou por ali. A campainha soou e tivemos a nossa primeira aula. Apresentações feitas, intervalo passado com o mesmo grupo de sempre, novamente aulas e um almoço descontraído. Zayn estava estranho, suspeitei que algo se tinha passado pois durante toda a manhã pouco ouvimos a sua voz. Para não criar mau ambiente durante o almoço, peguei no telemóvel e mandei uma mensagem a Harry - pois este era o único que poderia saber do que se passava.

"Boo, o que se passa com o Zayn?!"
"Ele viu o Daniel a agarrar-te pelo pulso, de manhã."

- Zayn podes chegar ali – com a cabeça apontei para a rua – por favor. Nós já vimos, pessoal.

Harry lançou-me um olhar preocupado e tentou persuadir-me a não lhe dizer nada, mas eu tinha de esclarecer aquela situação de uma vez por todas. Saí da pizaria e sentei-me num banco velho pintado de verde que havia perto da mesma. Zayn imitou-me os movimentos sem proferir uma única palavra.

- Porque é que estás assim? – Perguntei-lhe calmamente, cruzando os braços por baixo do peito e olhando fixamente para Zayn.
- Nada, Colbie. – A resposta veio de uma forma seca, fria até.

- Nada?! Claro que não é nada, e vai continuar a ser nada até tu me explicares o que se passou entre ti e aquele palhaço o ano passado ou lá quando foi. – Estava a perder a pouca calma que tinha. – Eu sei o que tu viste hoje.

- Eu tinha-te pedido para não te aproximares dele, tu tinhas-me dito que não o ias fazer. Porque é que o fizeste?

- Eu não fiz nada: eu estava sentada à espera da Mary e do Niall e ele apareceu. Deu-me os bons dias e confirmou o meu nome, respondi-lhe para não lhe faltar ao respeito. – Zayn olhava-me com os olhos distantes e marejados. – Disse-me que se precisasse de alguma ajuda na escola, ele estava ali; sabes Zayn eu ainda confio nas pessoas de que gosto e então levantei-me para sair dali. – Suspirei e voltei a concentrar-me nos seus olhos castanhos.

- E ele impediu-te e agarrou-te o pulso. – Finalizou.

- Sim, e se viste isso também deves ter visto que me soltei e saí dali.

- Sim ...

- Ah então se viste para que esse drama todo?! – Zayn levou as mãos ao cabelo e colocou-se em pé. – Zayn, olha para mim, eu estou farta disto.

Zayn passou a língua pelos lábios e agachou-se bem à minha frente: - Eu conto-te. Há cinco meses atrás, a Mary não era a única rapariga no grupo. Tínhamos outra rapariga ao pé de nós, a Kate. – Á medida que as palavras saiam da boca de Zayn o seu olhar parecia viajar em recordações. – Eu conhecia-a desde pequenos, eramos os melhores amigos mas, um dia tudo mudou. Ela aproximou-se do Daniel e ele começou a encher-lhe a cabeça...Eu e ele, nunca nos demos bem.

- Mas, ela afastou-se assim? Sem mais nem menos? – Interrompi.

- Ela foi-se afastando: ela continuava andar connosco mas passava cada vez mais tempo com ele, não agia da mesma maneira connosco. Passados três meses, ela deixou de nos falar e, - apertei as mãos de Zayn e prendi os seus olhos castanhos aos meus – começou a consumir drogas. Ela mudou do dia para a noite, tornou-se numa pessoa tão maquiavélica, tão fria ... Não era mais a minha Kate.

- Foi o Daniel que a levou para as drogas?

- Sim ... - a resposta saiu rápida e amarguradamente – Ele consome, e arrastou a Kate para esse mundo.

- Oh meu deus.

- Há um mês atrás as coisas tornaram-se insuportáveis: a Kate começou a faltar à escola e passou duas semanas sem ir a casa, foram lançados alertas e a polícia andou atrás dela durante vários dias. – Os olhos de Zayn estavam brilhantes e bastante marejados de lágrimas – Encontraram-na num beco, sozinha e foi levada para o hospital.

- Onde é que ela está, Zayn? – Perguntei em tom baixo.

- Os pais levaram-na para uma clinica de desintoxicação no Canadá ... - Zayn, pela primeira vez durante a conversa, olhou-me: - Os teus olhos são parecidos aos dela, o teu sorriso é semelhante ao dela. Entendes agora o porquê de todos nós não te querermos perto dele? Entendes o porquê de eu não te querer perto daquele monstro?

Os meus olhos encheram-se de lágrimas e por mais que me quisesse controlar, não consegui. Várias lágrimas fugiram dos meus olhos...

- Eu não te contei isto para tu teres pena de mim, 'Bie.

- Eu não tenho pena de ti, Zayn. Eu tenho orgulho em ti, e estas lágrimas são de felicidade: felicidade por ver que vocês se preocupam comigo. Zayn, em todos estes anos que vivi no orfanato, eu nunca me pôde gabar de dizer que tive amigos como vocês: verdadeiros, e também nunca pude dizer que fui feliz verdadeiramente. Nestas três semanas, eu tenho sido feliz e a maioria dessa felicidade deve-se a ti. – Havia outra razão para as minhas lágrimas mas, não era tempo de a revelar. As mãos de Zayn apertaram as minhas e senti a sua respiração voltar ao normal.

- Chega de lágrimas. Os teus olhos tornam-se quase cinza quando choras ... são bonitos mas eu gosto mais de te ver com um sorriso. – Confidenciou-me, exercendo força para erguer o meu corpo do banco que anteriormente ocupava. – Vá, vamos para dentro acabar a nossa pizza e depois podemos ir dar uma volta...

- Eu precisava de ir para casa, queria aproveitar o tempo livre que agora tenho para organizar as músicas que tenho no computador e dar uma vista de olhos à lista de livros que quero ler...

- Então está decidido, acabamos a pizza e rumamos até casa. – Proferiu já dentro do espaço de refeição que tínhamos escolhido para almoçar. – Quer dizer ... eu posso ajudar, se quiseres.

- Claro. – Sorri.

(...)

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