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Sweet Nothing

Sweet Nothing

Sab | 05.11.11

Dreams of Love - Capítulo XXVIII - Um beijo suave.

Bom dia meus queridos leitores. Como correu esta semana de aulas? Muitos testes? 

Bem, antes de mais eu queria dizer-vos que este post é o número 500 e fico muito grata a todos vocês por comentarem e visitarem o blog diariamente, faz-me muito feliz. Para comemorar esta "data especial" - não tem nada de especial mas pronto - vou deixar-vos com um capítulo daqueles mesmo grande e ainda por cima vem um com um bónus. Prontos para ver do que me refiro?

 

 

 

Capítulo XXVIII – Um beijo suave.

 

            Aproveitei o tempo que ainda tinha antes do “encontro” com David e parei num café onde sosseguei o meu estômago com um bolo e um galão. Antes de me dirigir para casa de David, troquei algumas mensagens com Rita onde ela me contou o pouco que sabia sobre a “novela pseudo-amorosa do Rúben com a Lia”. Aqueles dois encaixavam na perfeição um com o outro: ambos eram trabalhadores, decididos, casmurros e claro boas pessoas. Dirigi-me até ao apartamento de David e verifiquei no meu relógio de pulso que tinha chegado na hora combinada… Com o dedo indicador pressionei a campainha e não tive de esperar muito até ouvir a voz de David do outro lado:
            - Oi?
            Soltei um breve sorriso um pouco perceptível e saudei o homem que tinha, confesso, alguma vontade de vislumbrar: - Olá, senhor António Manuel?
            - Que gracinha Mariana Sofia. – Retorquiu-me logo com a resposta na ponta da língua.
            - Eh lá, mas ele sabe o meu segundo nome. Muito bem David Marinho, estou impressionada.
            - Eu tenho muitas qualidades que podem impressiona você, só que não posso revelar logo tudo.
            Abanei ao de leve a cabeça perante aquela afirmação e como já de uma regra se tratasse, sorri.
            - Vais-me deixar entrar, ou tenho de implorar?
            - Quero que você implore … - Afirmou muito convicto das suas palavras.
            - David Luiz Moreira Marinho, será que me pode dar permissão para entrar nos seus aposentos?
            - Com certeza, minha princesa.
            A porta de alumínio abriu-se e foi-me perceptível o som de David a abrir a porta de entrada no andar de cima. Agarrei a porta para que esta não se voltasse a fechar, e fiquei especada a olhar para o sítio de onde tinham saído aquelas palavras que, não sei bem porquê, me aqueceram o coração. Princesa, minha princesa.
 A porta que se encontrava atrás de mim fechou-se e à minha frente apenas se encontra um lance de oito escadas, que dariam lugar a outro lance e mais dois se seguiam … isto tudo para chegar ao apartamento que David ocupava. Passo a passo, sem muita rapidez e ousando contrariar o órgão vital descompassado, coloquei os meus pés perto da porta de madeira com o número 4 no meio e com um homem alto ao lado desta. David encontrava-se com a sua tão típica cabeleira toda desgrenhada, que lhe acentua a sua beleza e transforma os traços de homem em menino traquina, com um sorriso aberto no rosto. Envergava uma camisola daquela que deduzi ser a sua marca favorita – devido ao elevado número que possui da mesma – de cor vermelha, umas calças de ganga escura e uns ténis da cor da sweat.
            - Pequenina! – Exclamou sem me dar tempo de o cumprimentar ou saudar com um sorriso, entrelaçou os seus braços junto ao meu corpo e depositou um beijo na minha testa. – Que saudadji, ‘cê cresceu.
Ri contra o peito de David e com alguma dificuldade ergui a mão direita e com pouca força depositei no seu peito uma leve chapada, acompanhada de um “parvo” proferido pelos meus lábios.
            - Tu é que continuas crescer, e hoje também estou com botas rasas.- Justifiquei-me face à nossa diferença de tamanhos. – Quem é que te manda crescer tanto?
            - Eu sô assim, fazer o quê né? – Sorrimos perante a sua afirmação e depois de encostar os meus lábios na sua bochecha dirigimo-nos para dentro dos seus aposentos.
O apartamento de David, encontrava-se muito bem decorado e com um arranjo de flores artificiais muito bonito no hall de entrada. Uma das qualidades que admirava nele, era o seu bom gosto apesar de saber que a sua mãe e Gustavo o ajudavam sempre, fosse qual fosse a peça para a casa ou mesmo de vestuário. Entre brincadeiras e sorrisos encaminhamo-nos para a cozinha onde David tratou de fazer um chocolate quente como só ele sabia fazer, e que sabia ainda melhor quando era saboreado em boa companhia e com o olhar preso na chuva que tinha começado a cair. Dei um gole no meu chocolate quente e sentei-me nos bancos altos que me colocavam ao mesmo nível de David.
            - Como foi o Natal? – Perguntei-lhe iniciando conversa sobre o tema/espírito que ainda se encontrava presente em cada rua, em cada esquina, em cada casa…
            - Correu muito bem pequenina. Família toda reunida, cê não imagina como meus primos estão crescidos e meus tios tão diferentes, é muito tempo sem os ver e de cada vez que volto ao Brasil todos temos novas histórias, aventuras, alegrias e tristezas para partilhar, - confessou-me com um sorriso e um olhar que demonstrava todo o carinho que nutria pela família, eram realmente muito ligados – e o seu, como foi?
            - Foi … diferente.
            - Como assim?! Não estou entendendo não… Diferente, pequenina?
            - Sim diferente mas para melhor – sorri- muito melhor. Todos os meus outros Natais se resumiam a jantar: ou só com o meu pai ou sozinha.
            - E sua mãe? – Com esta pergunta, o meu corpo passou de descontraído a uma postura rígida e o meu olhar passou de fixar os olhos de David para se concentrar nos mosaicos daquela divisão. – Desculpe minha pergunta.
            - Só me lembro de passar três Natais com ela: o primeiro, quando era pequena deveria ter uns seis/sete anos. Lembro-me perfeitamente de estarmos em casa com os pais do Fábio, os meus pais, eu, os meus avós e de eu correr pela casa feita maluca à procura do meu primo. O segundo, não me lembro muito bem mas sei que ela estava presente porque houve uma grande discussão nesse dia entre ela e a minha tia. O terceiro e último foi já na Suíça, resumiu-se a um jantar de dez minutos e a um beijo na testa como despedida.
O rosto de David mudou várias vezes de expressões, era compreensível uma vez que as nossas famílias representavam para ele dois mundos totalmente diferentes.
            - Desculpe … eu .. eu não…
Levantei-me do sítio onde estava, coloquei o copo de chocolate quente na bancada de granito e dirigi-me para perto de David. A sua testa possuía uma ruga, que só aparecia quando este se encontrava preocupado ou confuso com alguma coisa. As minhas mãos ladearam o seu rosto:
            - Tu não sabias, eu sei disso David. E mesmo se soubesses, falar da minha mãe não é problema nenhum. Ela escolheu assim, ela escolheu não se importar.
            - Mas você também tem um papel nisto, Mariana.
            - Eu sei disso, eu sei. – Desloquei-me e aproximei-me da janela onde a chuva caía com alguma intensidade e o meu olhar perscrutou o céu, carregado de nuvens cinzentas. – Eu sei que devia tentar criar laços mais afectivos com ela, tentar que ela compreendesse os meus problemas ou simplesmente … - não consegui acabar a frase.
            - Então cê você sabe porque não tenta, meu bem?
Meu bem …
           
- Porque ela não me quer ouvir David, ela não se importa. A minha mãe já demonstrou isso várias vezes é simples de entender: ela está-se nas tintas.
            - Mariana, ela é sua mãe eu tenho certeza que se preocupa com você.
            - Se tens tanta certeza, responde-me agora a isto: Qual é a mãe preocupada que não telefona à filha e se limita ou a mandar uma mensagem quando calha ou então a falar comigo quando apanha o meu pai ao telefone comigo? Qual é a mãe preocupada que no dia de Natal não manda uma mensagem à filha?
David remeteu-se ao silêncio da sua consciência, abraçou-me pelas costas e colocou o seu queixo no meu ombro. Assim ficámos, a admirar a chuva em silêncio e apenas com o seu barulho de fundo.

(…)
            - Não David, eu dou a minha prenda primeiro.
            - Não seja casmurra, eu é que dou.
            - Damos ao mesmo tempo então. – Agarrei na minha mala e tirei o embrulho vermelho adornado com um laçarote dourado. Encontrávamos-mos na sala, embrulhados numa manta preta e tínhamos acabado de ver uma comédia. David levantou-se e com uma breve corrida foi buscar o meu presente. – Vá, toma. – Disse-lhe passando o meu embrulho para a sua mão. – Espero que gostes.
            O meu presente vinha embrulhado nuns tons de beije e era grande. Comecei a desembrulhar e quando dou por conta, David já estava a sorrir com o seu presente na mão.
            - Então me fica bem? – Disse colocando o gorro de lã na cabeça.
            - Fica, claro que fica. – Respondi-lhe sorrindo. – Eu sei que não é nada de especial nem tem muito significado mas, esse gorro foi feito por mim e pela minha avó paterna.
            - Foi você mesma que fez? – Perguntou-me bastante admirado.
            - Todo todinho não, mas comecei a fazê-lo e depois a minha avó guardou e eu bem … Como não sabia o que te dar, falei com ela e pronto é o que aí tens. – Confessei com um sorriso.
            - Não é qualquer coisinha não, é maravilhoso. Mesmo que estivesse todo torto e feio era adorável, sabe por quê? Porque foi feito por você e tem muito significado pra mim. – Era bom saber que tinha conseguido fazer David feliz. – Não conta pra ninguém mas, este foi dos melhores presentes que recebi.
            Quando vi o que aquela caixa continha mal podia acreditar. David tinha-me dado um jambé totalmente de madeira e com um M gravado.
            - Como é que tu sabias que eu gostava disto? – Perguntei-lhe bastante curiosa.
            - Eu vi você olhando pró que o Ruben tem na sala e quando perguntei ao Ruben se você gostava a resposta foi a que eu esperava.
            - Obrigada, a sério adorei.
Os meus braços abriram caminho e abraçaram o seu corpo. Quando nos separamos quase que me perdia nos seus olhos verdes, aquele olhar…
(…)
            - Não quer mesmo que eu leve você? Não custa nada. – David continuava a oferecer-se para me levar a casa pela centésima vez.
             - Não, não quero óh grandalhão. Já parou de chover e tudo, não é preciso. – Mais uma vez, fixei-me naqueles olhos que tantas e tão boas coisas me transmitiam. Permanecemos em silêncio durante uns longos dois minutos e no fim desse mesmo tempo, dei-lhe um beijo demorado na bochecha. – Adeus e obrigada ‘zuca.
            - De nada não, tuga pequenina.
Desci o primeiro lance de escadas mas, algo me fez parar. Senti passos atrás de mim e reconheci-os como sendo de David.
            - Esqueceste-te de alguma coisa, teimosão? – Perguntei-lhe divertidamente e colocando-me de frente para ele.
            - Não diga nada, não me impeça de fazer o que meu coração me manda – sussurrou-me, bem pertinho dos meus lábios e com a sua respiração a cruzar-se com a minha.
O meu olhar alternava entre os seus olhos e os seus lábios entreabertos. Senti uma mão calorosamente familiar a desviar-me o cabelo para trás da orelha e a fixar o seu polegar no meu rosto. As minhas mãos ganharam vida e apoderaram-se da sua face. Os nossos lábios, em perfeita sintonia cruzaram-se e, aconteceu… Tão suavemente que nem todos adjectivos fariam jus a tanta calma, suavidade, pureza e sentimento. Tudo isto, num beijo.

 

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