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Sweet Nothing

Sweet Nothing

Ter | 30.08.11

One-Shot - Destino - Parte V - primeira-parte

Decidi dividir a última parte desta shot em duas, pois como podem ver se já esta parte está grande quanto mais se colocasse as duas. Espero que gostem.

Ansiosos por saber o que o Raphael faz?
O que esconde?

 


Parte V

                 Naquela manhã, Emma não necessitou de despertador uma vez que a luz solar que banhou o quarto foi suficiente para que acordasse. Piscou os olhos várias vezes até que se habituassem à claridade e deu por si, sozinha. Raphael não se encontrava ao lado dela, onde estaria? Relembrou a noite anterior, cada movimento, cada gesto, cada beijo, cada carícia, cada suspiro. O facto de se lembrar de cada detalhe confirmou que tinha sido real, ela tinha-se sentido amada verdadeiramente. Emma levantou-se, enrolou o seu corpo no lençol e percorreu a suite à procura de homem que na noite anterior lhe tinha proporcionado a melhor noite da vida dela. Resultado, nada. Ela não o encontrou. Em vez dele, encontrou um envelope com o seu nome escrito. Depressa as suas mãos percorreram o envelope e abriram-no, onde encontrou um bilhete.

                “Querida Emma, desculpa. Quando leres estas palavras liga para a recepção e pede que te mandem a revista. Raphael.”

Desculpar o quê? Revista? O que é que ele queria dizer com aquilo? Emma, apressou-se a marcar o número e a falar com a recepcionista. Poucos minutos depois, tinha um empregado do hotel a bater-lhe à porta. Vestiu a t-shirt de alças que tinha deixado lá e uns calções curtos com os que dormira duas noites antes. Abriu a porta, sorriu ao empregado, pegou na revista e agradeceu fechando a porta logo de seguida. Olhou para a revista, ela conheci-a. Era a revista mais vendida no país e a que tinha mais saída na livraria. Muitas edições lhe tinham passado pela mão, arriscava-se a dizer que ainda sabia o título da anterior. Mas, quais as razões de ele querer que ela lesse a revista? Sentou-se numa das cadeiras da sala, e atirou a revista para cima da mesa o que fez com que esta deslizasse sobre a superfície e se abrisse numa página marcada com outro envelope. Como se de uma mola se tratasse o corpo de Emma saltou da cadeira, circundou a mesa e apanhou a revista e o envelope. De novo, outro bilhete:

                “Querida Emma, peço-te que ao leres o artigo o faças com calma. Desculpa. Raphael.”

Emma detestava que lhe pedissem desculpas, muito menos quando não sabia como a tinham ofendido. Voltou a ler o bilhete e percebeu que o que procurava, todas as respostas às suas perguntas encontravam-se naquele artigo da revista. O título do artigo era ainda mais intrigante: Nunca julgue um livro pela capa. Emma, começou então a ler aquelas palavras.

 

                Engana-se quem pense que as palavras que se encontram neste texto são provenientes da minha imaginação. Tudo o que vai ler, é uma história verídica.
                Quando me propuseram fazer este artigo a minha resposta foi imediatamente positiva, pois tinha uma grande curiosidade em ver e perceber o que leva várias pessoas a integrar este mundo. O mundo da prostituição. Depois de uma breve pesquisa pelos clubes da cidade, tentei a minha sorte num e é aí que a história deste artigo começa. Há precisamente cinco dias atrás, desloquei-me até à boate escolhida dias antes. Confesso que quando me deparei com aquele ambiente fiquei um pouco perturbado, pois nunca antes me tinha deslocado a um local assim: nem em situações profissionais ou pessoais. De todas as raparigas que se encontravam ao “serviço” cerca de oitenta por cento são menores e as que o são, estão cobertas de tanta maquilhagem e vestes não apropriadas para a idade que se confundem com mulheres adultas.
                A partir do momento que entramos no clube, várias são as raparigas que nos oferecem a sua companhia. Pelo que vi e ao que pude verificar estão dispostas a fazer de tudo um pouco, quando se trata de dinheiro não se impõem limites. A nossa revista quis ir mais além e por isso durante cinco dias, fiz-me passar por um homem misterioso e “contratei” uma das empregadas do bar. O objectivo era tentar descobrir quais as razões que levaram Harper a entrar naquele mundo e o que a motivava a continuar. A princípio foi difícil ganhar a sua confiança, como devem calcular estas raparigas não estão habituadas a serem tratadas com respeito. Com algum esforço e determinação consegui que Harper me revelasse alguns detalhes da sua vida, não foi tarefa fácil. Harper tem uma personalidade muito forte, é uma menina – ainda menor de idade – revoltada com ela própria. Harper, é das únicas que sente revolta com a vida que tem mas, as dificuldades da vida levaram-na a escolher este caminho. Harper durante o dia trabalha como qualquer outra pessoa, tem um emprego honesto ligado à literatura e ao comércio mas, durante a noite a face de menina é coberta com tons berrantes, o look prático é renovado para um look provocador. Passa de menina a mulher numa questão de minutos. A figura materna que deveria servir de exemplo morreu há cerca de dois anos e o pai encontra-se numa casa de repouso bastante cara, que um ordenado comum não pode pagar. Harper é sem dúvida uma lutadora, abdicou da sua adolescência para poder dar um resto de vida descansada ao pai. O que mais me chocou, foi que naquele clube como em muitos outros apesar da violência psicológica que estas mulheres sofrem existe também violência doméstica.

                A meio do artigo Emma estava lavada em lágrimas e com raiva de si própria. Como é que foi tão burra ao ponto de confiar num homem como Raphael? Porque é que se entregou e revelou os seus maiores segredos a um homem que pensou conhecer? Limpou as lágrimas que corriam no seu rosto e correu até ao quarto. Vestiu umas calças de ganga, uma camisa preta. Passou a cara com água fria e penteou o cabelo. Arrumou os calções e a t-shirt que tinha anteriormente vestida e a roupa que tinha usado no bar, colocou tudo na sua mala e pegou na revista. Bateu com a porta da suite e sem paciência para esperar pelo elevador desceu a enorme escadaria. Meteu-se num táxi e indicou a morada que se encontrava na última página daquela maldita revista. 

 

criei outro tumblr, este é so de imagens. tipo WeHeartIt

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