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Sweet Nothing

Sweet Nothing

Qui | 18.08.11

One-Shot - Destino - Parte III

 Espero que gostem, e já sabem: quero opiniões.

Parte III.

Chegaram à suite presidencial que ele ocupava, durante todo o caminho nenhum deles proferiu uma única palavra. A madrugada estava fria mas, Harper também envergava pouca roupa.
     - Senta-te, por favor. – Pediu-lhe o homem de cabelos escuros, quando viu que ela permanecia junto à porta, estática.
    Harper, observava a beleza daquele espaço pois nunca tinha estado num sítio como aquele. Finalmente percebera que aquele homem não era um cliente normal, não era um homem normal. Ele não ia obriga-la a nada, e mais uma vez foi o coração que lhe transmitiu essa ideia. Se ele quisesse alguma coisa com ela, mal tivessem entrado na suite tinha sido bruto com ela e obrigava-a a cumprir tudo o que ele pedisse.
   - O que quer de mim? – Esta pergunta permanecia-lhe na cabeça desde o minuto em que ele lhe tinha proposto a vinda para aquele lugar.
  - Conhecer-te, perceber as razões que te levaram a trabalhar e escolher um sítio daqueles. – Foi-lhe o mais sincero que lhe era permitido, os seus pais sempre lhe tinham ensinado a sê-lo mas, daquela vez ele não podia contar a verdade toda.
   - Eu não conto a minha vida inteira a desconhecidos. – Respondeu-lhe amargurada e rispidamente.
  - Mas vais para a cama com eles. – Acusou-a no mesmo tom, levantando-se do sofá que ocupava e indo ao encontro da rapariga.
     - Pagam-me bem, eu preciso daquele dinheiro. – Confessou-lhe com alguma raiva na voz e nos movimentos.
  - Trabalha honestamente como a maioria das pessoas. – Mais uma vez, o tom de voz elevou-se dentro daquelas paredes.
       - Caso não saiba, o que me admira já que se mostrou tão conhecedor da minha pessoa eu, trabalho numa livraria durante o dia. E já agora, sempre me ensinaram que o trabalhar honestamente, como o senhor diz, é não roubar. Eu por acaso faço isso? Faço? Não, eu não roubo ninguém. - A voz dela, tal como a dele, tinha subido de tom e agora encontrava-se mais agressiva e mais fina. - Mas afinal, quem é você para dizer o que é trabalhar honestamente? Eu sei lá se você sabe o verdadeiro significado disso.
   - Não vamos falar de mim … - Era tudo o que ele menos queria, por isso fugiu da conversa desviando o assunto e baixando o tom.

   - Quer saber, eu não vim aqui para ser julgada por uma pessoa que nem sequer conheço. Passe bem. – Harper, virou costas e quando colocou a mão no manípulo da porta foi impedida de o fazer, pois o homem que dividia aquele espaço com ela agarrou-lhe o braço.
  - Se fores embora, hoje mesmo volto aquele clube e digo ao teu patrão que fugiste. Sabes o que acontece? És despedida, levas uma sova e não ganhas o dinheiro que tanto precisas. – Ele não queria isso, a ideia de a ver despedida e ainda por cima maltratada entristecia-o. – É isso que queres?
     Não, não é. – Sussurrou ela e voltou-se para ele, encarando a mão que ele dispunha no seu braço.
     - Decisão acertada, - ele limitou-se a retirar a mão que lhe prendia o braço e sentou-se novamente no sofá. – Há quanto tempo não tens uma noite decente?
 - Quatro anos atrás. – Respondeu-lhe directamente e com a cabeça baixa.
    - Segunda porta à esquerda, podes dormir lá esta noite. Toma um banho, e descansa. Eu levo-te uma das minhas t-shrits para que possas tirar essa roupa. – Indicou-lhe olhando-a e admirando a sua postura frágil. – Se fugires, já sabes o que acontece.
  - Amanhã às oito tenho de abrir a livraria …
    - Eu tomo o pequeno-almoço às sete, dava tempo para passares por casa e vestires outra roupa. – Ele estava a tentar ganhar a sua confiança, passo a passo.
 Harper assentiu com a cabeça e seguiu até à porta que aquele desconhecido lhe tinha indicado mas, antes de entrar a sua curiosidade veio ao de cima.
   - Porque é que está a fazer isto?
  - Dorme bem … Emma. – Foi a única coisa que ouviu da sua boca.
    Ele sabia o que queria. Emma ia ajuda-lo, mesmo que não soubesse. Não precisava de saber. Ele ia ajuda-la para ter o que necessitava, e em troca ela ajudava-o. A ajuda era mútua. Nenhum precisava mais do que o outro. Encontravam-se no mesmo grau, no mesmo patamar.
   Nessa noite, Emma tomou um banho relaxante e sentiu-se livre da sua faceta que à quatro anos a enojava. Depois do banho, em cima da cama encontrou uma t-shirt que depois de vestida lhe chegava até meio da cocha. Tinha um cheiro tranquilizante, ela reconheceu como sendo o perfume dele. Adormeceu assim que caiu nos lençóis daquele quarto.
    Ele, por sua vez ligou o computador e deu inicio ao seu trabalho. A meio da noite, abriu a porta do quarto de Emma e viu uma frágil menina perdida no mundo dos sonhos. Colocou mais um cobertor sobre ela e programou o despertador para as seis e quarenta e cinco, tinha tempo suficiente para tomar um duche e vestir a roupa do dia anterior. Fechou a porta e dirigiu-se ao seu quarto. Não se pode dizer que tenha adormecido de consciência tranquila, mas também não lhe pesava muito.

 

 

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