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Sweet Nothing

Sweet Nothing

Sab | 06.08.11

Dreams of Love - Capítulo XXV – É agora que você admite?

Acabei mais um capítulo e vim logo a correr para que não me chamassem de desnaturada ou coisa parecida. Quem é vossa amiga, quem é? 

Espero que gostem, devo confessar que foi um capítulo que me deixou bastante feliz pois foi um dos mais rápidos e onde tudo surgiu com naturalidade. Estou satisfeita com o resultado final ... e vocês? vá, quero opiniões.

 

 

            Capítulo XXV – É agora que você admite?

 

- Bom dia menina, com certeza. O que a fez levantar tão cedo? É a família que vem passar o Natal ? – Perguntou-me o taxista de rosto magro, com um bigode simpático e de cor branca.

            - Não, sinceramente foi mais um impulso de ontem à noite. Vou-me despedir de uma pessoa … - confessei-lhe com um sorriso na cara.

            - Sabe, é que não é comum uma menina tão nova levantar-se tão cedo no período de férias… Eu falo por experiência menina, aquele rapaz que tenho lá em casa se for preciso só às duas da tarde é que arreda pé da cama.
 - Então faz ele muito bem, nós temos de descansar. Aqueles professores puxam muito por nós …

            - A juventude de hoje em dia, já nasce cansada menina. Mas não me posso queixar muito, o rapaz ajuda muito lá em casa.

- Que idade tem o seu filho? – Era por este motivo que eu gostava de andar de táxi, principalmente em Lisboa. Os taxistas tinham sempre um assunto de conversa, um motivo para que a viagem se tornasse mais rápida.

- Fez dezassete o mês passado, a menina deve ter a idade dele. – Respondeu-me encarando o retrovisor e concentrando-se novamente na estrada, mas antes disso subiu o volume da rádio onde falavam da vitória do Benfica. – É este ano que temos o caneco…

 - É preciso é ter fé, temos uma grande equipa. Cheira-me que vou festejar para o Marquês no fim do campeonato.

- Também é benfiquista, menina?

- Desde pequenina, o benfiquismo está-me no sangue. – Confessei-lhe com um sorriso.

- Assim é que eu gosto … Se precisar de um táxi para a levar ao marquês nesse dia, ligue-me.

- Nesse dia vai trabalhar? Não pode ser, nesse dia tem de ir ao estádio…

- Tem razão menina, se conseguir deixo o táxi e rumo à Catedral. Posso saber o seu nome, menina?

- Mariana, e o senhor?
            - Mariana? Bonito nome, é o nome da minha mulher. António Joaquim, um taxista ao seu dispor. – Nisto, levantou a pequena boina que lhe cobria a cabeça e sorriu.
            - Depois já sabem, quero o seu cartãozinho quando precisar de um táxi, já sei a quem ligar. A sua mulher deve ser muito boa mulher, com um nome tão bonito … - disse-lhe com a intenção de me meter com ele.

- Claro que é, é a melhor esposa que podia ter encontrado. Olhe, acredite se quiser mas poucas aturavam as pancadas deste Tojó, mas não lhe diga nada senão fica toda convencida.

Não contive uma gargalhada depois daquela declaração … Mais dez minutos se passaram antes de chegar ao aeroporto. O senhor Tojó, com uma simpatia inigualável, disse-me que ficaria à minha espera uma vez que eu acabaria por pedir outro táxi depois de me despedir de David. Fechei a porta traseira e corri para o aeroporto. Verifiquei as horas, ainda tinha tempo para me despedir de David, e ele ainda tinha tempo de chegar ao aeroporto. Resolvi ligar-lhe.

- E aí muleca, bom dia. ‘Que tá fazendo acordada a uma hora dessas? – David nem me deixou iniciar a saudação pois a sua voz interrompeu-me os pensamentos.
            - Oi peste, isso agora … Conta-me, já estás no aeroporto? – Tinha de ser directa, eu precisava de respostas claras. Quanto menos tempo demorasse a fazê-las mais depressa obteria o que queria.

 - Acabei agora mesmo de chega, Gustavo me deixou aqui e seguiu pra casa. Porque, pequenina?
            -Então, como o teu voo ainda demora ainda tens tempo para um cafezinho?

-Tenho, mas você está aqui? – A surpresa na voz dele foi notória.

- Sem mais perguntas, dirige-te ao café mais perto da entrada que eu já vou ter contigo.
            - Acordou decidjida hoje, foi? – Perguntou-me num tom divertido que eu conhecia e apelidava como seu.
            - Foi, brasileirinho de meia tijela. – Antes de o ouvir reclamar aos meus ouvidos, desliguei a chamada e dirigi-me ao café que anteriormente lhe tinha indicado.

Sentei-me numa mesinha próxima da porta, a maior parte das pessoas encontrava-se junto ao balcão. Não demorou muito até que a figura de David percorresse a distância que o separava daquele estabelecimento. Vinha com umas calças de ganga escuras, uma camisola da sua marca favorita e claro, com o gorro a cobrir a sua imagem de marca. Trazia uma pequena mala e vinha com um sorriso na cara.

- Isso era tudo saudadji minha, muleca? – Perguntou-me quando me cumprimentou com dois beijinhos e se sentou à minha frente.
            - Não, óh caracolinhos.- Respondi-lhe com a língua de fora. – Era mais vontade de te ver embarcar para longe de mim, vim certificar-me que ia passar uns dias sem a tua companhia.

 - Me engana que eu gosto, moça. – Entretanto o empregado apareceu e nós pedimos dois cafés, permanecemos calados enquanto os nossos cafés não chegavam. Ele teimava em mostrar-me um sorriso e eu fazia a mesma coisa. Não por obrigação, mas eu sentia-me bem perto dele e tinha como intenção mostrar-lhe isso.

- Queres mesmo que eu te diga o que vim aqui fazer? – Uma pergunta retórica à qual já sabia a resposta, por isso prossegui. – Vim descobrir o que era a minha prenda de Natal… Vá lá, David conta-me.

- Eu sabia que prá você estar tão bem acordada na minha frente, só podia ser por interesse. – Acusou-me, mas mais uma vez num tom carinhoso e animado. – Quer mesmo saber o que é o seu presentji? – Perguntou-me inclinando-se ligeiramente para a frente encostando os cotovelos sobre a mesa, encurtando assim a distância que havia entre os nossos rostos.

- Hum hum … - respondi-lhe imitando o gesto dele.

- Sur-pre-sa. – Respondeu-me com um sorriso de garoto nos lábios e aproveitando a proximidade nos nossos rostos para me dar um beijo na bochecha esquerda.

- Oh isso não vale. – Resmunguei cruzando os braços e fingindo-me amuada.

- Cê fica uma gracinha, quando finge de amuada óh pequenina. Cê não engana o Davi’, ai não engana não.

Respondi-lhe com um sorriso e assim ficamos mais uns dois minutos. Naquele curto espaço de tempo, acabamos os nossos cafés, e ouvimos a chamada que ditou o fim daquele encontro. Paguei os cafés e dirigi-me na companhia daquele matulão para fora do café.

Eu não sabia muito bem como agir, o meu corpo dizia para fazer uma coisa mas a cabeça pensava outra completamente distinta. David, acabou com as dúvidas. Largou a mala, e abraçou-me colocando os braços atrás das minhas costas, eu agarrei-me ao seu pescoço e encostei a cabeça perto do seu ombro.

- Obrigada por este bocadinho, foi muito especial cê se ter vindo despedir de mim. – Sussurrou-me ao ouvido, o que me fez tremer interiormente.

- Eu não me vim despedir de ti, eu vim como já te disse ver-me livre de ti. – Respondi-lhe acentuando as três últimas palavras.

- Não, teimosa. Você veio mesmo se despedir de mim, mas eu finjo que acredito que cê quer ver livre dji mim. – Proferiu no seu tom habitual e imitando a minha acentuação nas últimas palavras.

- Faz boa viagem e não te esqueças do meu presente. – Adverti-o.

- Eu não me esqueço … Eu nunca me esqueço de você. – Confessou-me envergonhado. Sorriu-me timidamente, e depositou um beijo perto, muito perto do canto direito dos meus lábios.

Pegou na mala e seguiu em frente, deu cerca de cinco passadas largas, olhou novamente para trás e voltou para perto de mim.

- Teimosinha, é agora que cê admite que se veio despedir dji mim? – Perguntou-me.

- Vejamos … Como eu estou farta que você me encha o saco, eu admito. Eu vim-me despedir de ti. – Sorri-lhe e repeti o gesto que ele mesmo tivera anteriormente: beijei-o no canto do lábio.

Se dei hipótese a mim mesma de ouvir o que ele teria a dizer? Não.

Porquê? Porque corri para fora do aeroporto e apenas olhei para trás quando cheguei à porta principal e o vi sorrir-me uma última vez para depois, seguir caminho para o avião. 

 

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