Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Sweet Nothing

Sweet Nothing

Palavras que aconteceram ... #2

Resposta a esta carta:

 

Desculpa estar a escrever-te tão tarde mas estive entretida a rever uns episódios da terceira temporada de "Skins" e depois do jantar deu-me para acabar de ver a quarta temporada da "Gossip Girl". Agora que o Verão está a acabar é que vejo o que devia ter feito, e eu prometi a mim mesma que ia terminar de ver todas as séries que já estão terminadas, por em ordem os episódios das que tenho em atraso e escrever mais, escrever muito mais. Como sempre, isso não aconteceu. Chega o Verão e eu torno-me numa desorganização total. O meu problema é gostar de dormir e habituar-me facilmente à preguicite aguda. 

Como pudeste ver, a minha relação com o rapaz da "relação descomplicada" está tudo menos descomplicada. O único consolo que tenho é que todas as pessoas que sabiam da nossa situação, e as pessoas mais próximas de mim com quem tenho desabafado e que também o conhecem não acham a atitude dele normal. Quer dizer, há alguém neste mundo que o consiga perceber? Ele diz que não quer mas que é o que tem de ser feito. O que é que tem de ser feito? Piorar a minha situação? Juro-te, nunca o vou perceber.

Ontem, quer dizer, anteontem um dos meus amigos mais chegados mandou-me por mensagem e durante a nossa conversa, um número de bilhete de identidade mas eu nem liguei porque pensei que se tinha enganado. Mais tarde, ainda estávamos a falar e ele diz-me: " O número de b.i que te mandei de tarde era do teu amigo I.". Não sei o que me deu, mas a primeira reacção que tive foi responder-lhe que não conheço tal pessoa. Ele voltou a insistir no assunto e eu voltei a dizer-lhe que não conhecia tal pessoa, que nunca a tinha visto. A resposta que recebi foi tão esclarecedora que até eu tive medo do que senti: " O que se passou, maninha? Tu nunca, e repito, nunca disseste isso de ninguém. Estás-me a dizer que não conheces o I. O que é que ele te fez? O que se passou?" 

E é verdade, eu nunca tinha dito que não conhecia uma pessoa que realmente conheço. Podes não perceber bem a importância disto mas, é estranho as pessoas ouvirem-me dizer que eu não o conheço. Até eu acho estranho, e sai da minha boca. O R. , o rapaz que com quem estava às mensagens e me chama de "maninha", não ficou contente com a minha resposta e mandou mensagem ao I. a perguntar o que é que me tinha feito ( e aproveitou para se armar em irmão mais velho, se é que me entendes).

O I. respondeu-lhe, a resposta dele deixou-me ainda mais confusa do que o que já estava. Acreditas que ele lhe disse que me estava a fazer um favor? Que me estava a deixar em paz para me fazer um favor? Que espécie de favor é que ele me está a fazer? Não entendo...

 

Sugeriste-me que o tentasse apanhar sozinho e tentasse confrontá-lo... Não consigo. Sou fraca, não vou conseguir. Tenho medo do que possa acontecer na segunda assim que puser os olhos nele, quanto mais dirigir-lhe a palavra e estar frente a frente com ele para conversarmos. A minha sorte é que ele ficou na outra turma de décimo segundo. Imagina como seria se estivessemos na mesma...

 

Quanto ao rapaz da guitarra, nem sei bem por onde começar. Lembraste de eu te dizer que ele me disse que gostava de mim? Pois, eu não gostava dele da mesma maneira e não ia avançar com uma coisa só para o agradar, correndo o risco de sair mais magoada que ele. Ok, chamem-me egoísta e tudo o que quiserem mas depois de ser tão magoada aprendi a colocar os meus sentimentos e o que posso vir a passar, em primeiro plano. As coisas tornaram-se frias a partir do dia em que lhe disse que não estava preparada, que talvez quando as aulas começassem seria diferente. Perdi-o. Mudou comigo de um momento para o outro, e foi tão repentino que me magoou mais do que eu esperava.
Estivemos sem falar várias vezes e isso custa tanto. Passamos de cerca de trezentas mensagens por dia a umas cinquenta, todos os dias se tivesse sorte. Passamos de falar ao telefone cerca de duas horas a falar uma vez em duas semanas, se tanto. Eu tinha tudo, e de repente estava sem nada. E por culpa de quem? Minha.
O problema maior é a minha falta de confiança e os rumores que vão surgindo. Como já te tinha dito anteriormente, ele é mulherengo ou pelo menos tem fama disso, e várias coisas me chegaram aos ouvidos. O pior de tudo, era falar com ele por chamada e ele chamar-me outro nome ... Magoava-me. 
Até que um dia, percebi o porquê de andar tão mal ... Eu gostava dele. Gostava dele a sério mas os meus sentimentos estavam tão escondidos, tão bem guardados que não me apercebi do que tinha. Aliás, apercebi-me mas era tarde demais.
Tenho tanto medo de sair magoada, de voltar a sofrer, que acho que o meu subconsciente acaba por ignorar os sentimentos... Será possível?
No dia dos anos da minha amiga, talvez por ter bebido um bocadinho e o álcool me ter dado a confiança que tanto precisava, liguei-lhe. Ele não estava na cidade, tinha ido passar três dias a Fôz-Coa para um festival qualquer... Liguei-lhe e durante a chamada disse-lhe tudo o que tinha a dizer. Disse-lhe que gostava dele, que não lhe pedia nada sério mas que gostava dele.
Disse-me que precisava de tempo, que não tinha dúvidas do que sentia por mim, mas que eu o tinha magoado quando lhe disse que não sentia o mesmo e ele tinha receio que o voltasse a magoar. A príncipio compreendi, mas agora é-me díficil.
Dei-lhe o tempo todo do mundo, esperei que ele voltasse mas as coisas tornaram-se mais complicadas. E tudo porque? Porque voltei a deixar que ele quebrasse as muralhas que tinha construído, voltei a deixar iludir-me. Ele voltou, mas não agiu como eu estava à espera. 
Como podes imaginar, eu contava que ele me ia dizer que estava disposto a arriscar. Podíamos até nem ter nada sério, que começavamos por estar juntos às vezes para ganhar confiança, para perceber se era isso realmente que queríamos ... Pois bem, não foi nada disso que ele me disse.
Pediu-me mais tempo. Disse-me " eu gosto de ti, não duvides disso, mas agora não dá." O que é que falta? Eu gosto dele. Ele diz gostar de mim. Tem o mundo ao contrário? O meu também não está muito melhor.
Temos falado pouco, conversas aborrecidas ... E eu queria tanto voltar aos dias em que ele cantava pra mim pelo skype, e aos dias em que ouvia a voz dele a dizer-me que tinha de ir dormir mas acaba sempre por falar comigo mais meia hora. 
Eu espero, espero até as aulas começarem mas não espero muito mais. 
Temos um amigo em comum e ele está sempre a dizer-me que o G. não é rapaz para mim, que vou acabar muito magoada ... Mais magoada do que o que fiquei com o T e do com o que estou com I. Será possível?
Não sei que fazer, sinceramente....
Vês? Eu bem te disse que se falasses com ele ias perceber que ele tem os mesmos medos que tu e que tudo se ia resolver. É exatamente como tu disseste, só não tem medos quem não tem nada a perder.
Carinhosamente,
Ana