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Sweet Nothing

Sweet Nothing

Sex | 19.07.13

One-Shot - Summer Love

Olá caros letores, como têm sido essas férias de Verão? Apesar de muitos de vocês já estarem de férias desde o final de Junho, sinto que as minhas só começaram na passada quarta-feira depois das quatro da tarde. Porquê? Bem, porque fui fazer a segunda fase do exame nacional de Biologia. Exames feitos, escola arrumada, é hora de descansar e de me dedicar ao blog. 

Como sabem, e se não sabem deviam ler este post , voltei a fazer aquele desafio das one-shots inspiradas numa música à vossa escolha. 

Alertei, aquando da resposta aos vossos comentários, que provavelmente as One-Shots não iam sugir na mesma ordem que me foram pedidas visto que, eu não consigo escrever por obrigação. Escrevo quando me apetece, e se sentir que tenho de escrever segundo uma determinada ordem as coisas não saem ao meu gosto.

Sem mais demoras, deixo aqui a primeira one-shot.

 

One-Shot - Summer Love [Com o Niall dos One Direction]

  O despertador tocou naquela última manhã de Agosto. No calendário, o verão ainda durava mais algumas semanas, porém Niall sentia que o seu chegava ao fim naquele mesmo dia. Costumam dizer que tudo o que é bom acaba depressa, mas seria depressa o adjectivo correcto para aqueles dois meses e meio? Não, depressa era um adjectivo demasiado bondoso para caracterizar a velocidade a que aqueles dias tinham decorrido. O rapaz soltou um suspiro, e movimentou as pernas para afastar de si o lençol fino que tinha enrolado no corpo. Por mais calor que fizesse, Niall nunca conseguia dormir totalmente destapado. Levantou um pouco a almofada, colocando-a numa posição confortável para apoiar as costas e sentou-se na cama com as pernas estiadas. Deixou-se estar assim durante algum tempo, e a sua mente viajou até meio da terceira semana de Junho.

 

  “Era um típico dia de Junho, uma das primeiras semanas de férias…. Vários adolescentes passeavam nas ruas daquela cidade. Uns dirigiam-se para as piscinas municipais, outros para a gelataria ou mesmo para o salão de jogos. O rapaz loiro e de olhos claros andava pela cidade sem nada para fazer, muito por culpa do seu melhor amigo que tinha desmarcado os planos à última da hora. Num dia tão bonito regressar a casa não era opção, e mesmo com os planos cancelados Niall dirigiu-se até ao parque da cidade. Era um sítio bonito, o verde predominava e o jovem rapaz sempre gostara de estar em contacto com a natureza. As várias árvores centenárias viam as suas folhas agitar um pouco devido à brisa refrescante que corria naquela tarde. Algumas crianças aproveitavam aquele dia quente para brincar nos baloiços e outras diversões espalhadas naquele local. O rapaz de olhos claros gostava particularmente de ver as crianças a divertirem-se, gostava de observá-las. Para elas, é tudo tão simples… O seu maior problema talvez seja o facto de o dia ter poucas horas para brincar, ou o facto de o amigo ter de ir embora mais cedo. Eram inocentes, felizes, despreocupados com o futuro e Niall sentia falta disso. Não se podia queixar muito, considerava-se feliz, mas a inocência de criança tinha desparecido com os anos, tinha motivos para se preocupar com o futuro, tinha escolhas difíceis a tomar, tinha errado, tinha caído sozinho mas crescer e viver a adolescência era isso mesmo.

  Depois de caminhar durante um bom bocado, chegou ao seu sítio preferido desde que se lembrava de frequentar o parque. Sentou-se debaixo daquela que diziam ser a primeira árvore ali plantada, e a julgar pelo seu tamanho e pela grossura do seu tronco teria mais de um século de existência. Ajeitou os óculos de sol e depois de apoiar as costas junto ao tronco, esticou as pernas. Era relaxante estar assim.

  A poucos metros de si, dois rapazes pequenos que não deveriam ter mais do que seis anos jogavam à bola freneticamente. Niall observava-os com atenção … O que estava de costas para si tinha um passe certeiro, porém o outro pequenote não tinha a mesma habilidade para o futebol e quando rematou, a bola desviou-se do amigo e veio na direcção oposta a que Niall se encostara. Vendo que as duas crianças estavam cansadas, Niall começou a levantar-se para lhes passar a bola porém alguém se adiantou. Uma rapariga, um pouco mais baixa do que ele, apareceu à sua frente e chutou a bola para um dos meninos. O passe, mesmo com pouca força, foi certeiro e o pequeno em jeito de agradecimento sorriu.

 

  - Excelente pontaria. – Elogiou o loiro, há medida que se punha de pé e ia ao encontro da rapariga, que ao ouvir uma voz atrás de si pulou, assustando-se. – Desculpa, não era minha intenção assustar-te.

 

  - Não faz mal, eu é que não estava a contar ter alguém tão perto de mim. – Respondeu-lhe enquanto se virava para ver a quem pertencia aquela voz. Niall não pôde deixar de reparar como era bonita. Tinha cabelo castanho, que não deveria ser muito curto pois mesmo apanhado num rabo-de-cavalo chegava-lhe quase ao meio das costas, um rosto bem estruturado, uns lábios pequenos e carnudos adornados com batom vermelho e por fim, uns olhos verdes lindíssimos. Ao ver que o rapaz à sua frente a observava, falou novamente. – Miriam.

 

  - Ahn? – Niall apercebeu-se que a tinha observado durante muito tempo e quando acordou do transe em que o seu cérebro tinha ficado é que se apercebeu que a rapariga lhe tinha dito o seu nome. Esticou-lhe a mão direita e sorriu, dizendo o seu nome: – Niall. Ambos sorriram um para o outro, e por mais estranho que pareça, assim que as suas mãos se tocaram um choque eléctrico percorreu-lhes o corpo, chegando ao coração. “

 

  Niall suspirou depois de recordar o dia em que a tinha conhecido. O tempo tinha passado demasiado rápido. Parecia que ainda ontem se tinham conhecido, a sua mente dava-lhe a ideia que tinham passado poucas horas desde que a tinha visto a pontapear aquela boa … mas não. Tinham passado quase três meses, talvez os melhores três meses da sua vida e agora estava tudo a chegar ao fim. Dentro de algumas horas, Miriam estaria fechada num táxi em direcção ao aeroporto para ir para casa. Para viajar para uma cidade diferente, um país diferente daquele em que se encontravam agora. Para um continente diferente, com um oceano e um fuso horário estúpido a separá-los.

  Não valia a pena continuar deitado na cama, isso não ia resolver nada. Niall resolveu levantar-se e depois de tomar um banho e de se vestir, desceu as escadas e dirigiu-se à cozinha para tomar o pequeno-almoço.

 

  - Bom dia mãe. – Assim que entrou na cozinha, viu a sua mãe de volta da loiça e dirigiu-se a ela para a cumprimentar. – Precisas de ajuda?

 

  - Bom dia meu filho. Não, não é preciso nada, estou quase a acabar. – Respondeu-lhe enquanto limpava o último prato e o colocava no armário. Maura, mãe de Niall, sabia que o filho não estava bem. O rosto não transmitia a mesma alegria que nos dias anteriores, e ela sabia as razões. – Vais ter com a Miriam?

 

  - Sim, - respondeu-lhe depois de beber um bocado do seu iogurte liquido – vou ajuda-la a fazer a mala e depois vamos dar um passeio … ou ficamos em casa. Ainda não sei, mãe. – Ver o filho tão triste, partia-lhe o coração.

 

  - Imagino que seja complicado mas, vocês sabiam que mais tarde ou mais cedo este dia iria acabar por chegar. – Maura não sabia o que dizer, tinha medo de ferir ainda mais a luz dos seus olhos.

 

  - Eu sei disso, aliás, eu e a Miriam sabemos disso desde o primeiro dia. – Niall acabou de tomar o seu pequeno-almoço, e abraçou a mãe em jeito de despedida. – Desde o início que me tentei mentalizar que isto era só um amor de verão, uma coisa passageira … Porque é que me está a custar tanto, mãe?

 

  - Porque as coisas não correram como tu no início tinhas idealizado, Niall. O que tu querias que fosse uma coisa passageira transformou-se numa muito maior. Transformou-se num dos amores de verão mais bonitos que vi, e talvez o único que vocês os dois vão viver com tanta intensidade e com tanto sentimento. – Maura apertou Niall contra o seu peito, e o rapaz deixou escapar uma lágrima no ombro da mãe. – E sabes uma coisa? Nunca na tua vida, nem tu nem a Miriam se vão arrepender destes três meses.

(…)

 

  Niall sabia que ainda era cedo para ir até a casa de Miriam, provavelmente a rapariga do cabelo castanho ainda estava a dormir. Resolveu dar uma volta no parque em que se tinham conseguido e que tantas vezes tinha sido testemunha das suas brincadeiras. Parecia que cada recanto daquele espaço lhe trazia uma memória diferente, um sorriso dela, uma gargalhada fora do comum, um olhar que lhe dizia exactamente como ela se sentia, uma conversa profunda ou mesmo um dos muitos silêncios. Quando estava com ela tudo parecia certo, até o silêncio lhe parecia uma coisa acertada, e agora tudo isso ia chegar ao fim…

  Os minutos foram passando e Niall quando deu por si já se encontrava à porta da casa da tia de Miriam que a tinha acolhido durante o verão. Os nós dos dedos das suas mãos viajaram de encontro da porta de madeira, e duas suaves pancadas anunciaram a sua chegada. Caroline, tia de Miriam, veio abrir a porta e cumprimentou Niall com um sorriso forçado e um bom dia.

 

  - A Miriam está lá em cima no quarto, sobe. – Incentivou-o. Niall agradeceu e começou a subir a escadaria até ao segundo andar.

 

  O quarto de Miriam era logo à direita e antes de bater Niall percebeu que a rapariga dos seus olhos andava de um lado para o outro naquela divisão. A mão esquerda de Niall repetiu o movimento que à pouco tinha executado, e do outro lado ouviu-se um “sim” choroso. Niall podia jurar que o seu coração tinha ficado em mil pedaços depois de ouvir aquele tom de voz.

  Miriam trazia o cabelo apanhado no topo da cabeça, e alguns dos cabelos mais rebeldes caiam sobre a face, emoldurando-lhe o rosto. Niall gostava de a ver assim, com o cabelo apanhando, uma t-shirt simples e uns calções de andar por casa. Miriam ao sentir a porta abrir-se, olhou para ver quem era e assim que viu o loiro, limpou o rosto. A tentativa de disfarçar o choro era em vão, ela sabia que Niall tinha percebido o estado em que ela se encontrara mas preferiria transformar qualquer mágoa que pudesse sentir, num sorriso. Ela devia-lhe isso.

 

  - Bom dia, Ni. – Ni, era o apelido carinhoso que ela lhe arranjara. Ninguém o chamava assim desde criança, e para dizer a verdade ele também não gostava muito porém, dito por Miriam tinha outro encanto. Tudo tem outro encanto quando dito ou feito pela pessoa que amamos.

 

  - Bom dia, princesa. – Miriam sorriu porém não se dirigiu a Niall para o cumprimentar, as lágrimas começaram a percorrer-lhe o rosto outra vez, e por essa razão virou-lhe as costas e continuou a tirar a roupa da cómoda e a coloca-la na mala. Niall assim que se deu conta desta reacção, fechou a porta e a passos largos encaminhou-se para junto dela. As mãos do rapaz repousaram na cintura da rapariga e com um pouco de força tentaram virá-la para si, mas sem sucesso. Niall apertou o seu peito contra as costas da rapariga que amava e ao sentir o corpo do rapaz tão perto do seu, Miriam parou o que estava a fazer mas manteve-se de costas. – Ei, não te quero ver assim … não te consigo ver assim Miriam. Onde está o teu sorriso que eu tanto gosto?

 

  Miriam virou-se para Niall e pode ver que os seus olhos azuis estavam tristes, tanto ou mais do que ela. Instintivamente os braços de Miriam ladearam o corpo de Niall e apertaram-no contra si. Aí foi inevitável, Miriam desabou. A morena começava agora a mentalizar-te que aquele seria dos últimos abraços que lhe daria, seria das últimas vezes que sentiria o seu cheiro e isso custava-lhe bastante. Niall encostou-a contra si o mais que pode e também ele se começava a mentalizar que o fim estava próximo. Não sabem quanto tempo permaneceram assim, agarrados um ao outro, mas quando se soltaram, Niall sentou-se na cama de casal e puxou Miriam para o seu colo. Uma das mãos do loiro de olhos azuis, contornaram o rosto de Miriam e limpavam-lhe o resto de lágrimas que lá permaneciam. Miriam imitou-lhe os movimentos e ao de leve, com o indicador, pressionou o nariz de Niall levando-o a sorrir. Ao vê-lo sorrir, Miriam sorriu. Funcionava assim.

 

  - Custa-me a acreditar que estás a fazer as malas … - Confessou-lhe Niall com a voz triste.

 

  - Eu sei, parece que ainda ontem nos conhecemos. – A mente da rapariga viajou para aquele tarde no parque, e sorriu. – Lembraste?

 

  - Claro que sim, hoje quando acordei foi a primeira coisa que me passou pela cabeça. – Admitiu-lhe.

 

  - Lembraste quando fomos à praia e a meio da tarde começou a chover? – Perguntou-lhe Miriam. Niall soltou uma gargalhada ao recordar aquele dia.

 

  - Estávamos dentro de água quando começou a chover do nada, só tivemos tempo de sair do mar, pegar na roupa e vir embora.

 

  - E quando chegamos a casa é que demos conta que te tinhas esquecido da carteira e do telemóvel lá. – Conclui Miriam, rindo levemente ao recordar o sucedido. Niall gostava de a ver assim, a rir.Os olhos dela ganhavam outro brilho e o sorriso tornava-a ainda mais perfeita. Não foi preciso dizer mais nada, os dois lábios sincronizados substituíram todas as palavras possíveis.

  Durante o resto da manhã, Niall ajudou Miriam a fazer a mala. Almoçaram por casa e enquanto a tia de Miriam arrumava a cozinha, o casal saiu e deu uma volto pelo parque, voltando logo em seguida para casa.

 

  - Quem me dera ter um botão para fazer o tempo voltar atrás, ou um que pudesse congelar o tempo. – Miriam estava a imprimir todas as fotos que tinha com Niall no computador, e sentia que cada uma retratava um bocadinho daquele verão.

 

  - Infelizmente não podemos, Mi. – Niall foi guardando as fotografias numa pequena caixa que Miriam lhe tinha oferecido com alguns dos seus objectos: uma pulseira da sorte, uma t-shirt, os bilhetes das suas idas ao cinema bem como o da ida à feira medieval. Niall também lhe tinha oferecido uma caixa com alguns dos seus pertences: a sua t-shirt favorita, uma fotografia sua de bebé, uma pequena bola de ténis que ele e Miriam tinham encontrado no parque e lá escrito os seus nomes. Niall olhou para as horas, dentro de cinco minutos Miriam teria de descer com as coisas pois o táxi que a levaria ao aeroporto estava quase a chegar. Do bolso dos calções, Niall retirou uma pulseira de prata com um pequeno coração numa das extremidades. – Anda cá, princesa.

 

  Miriam dirigiu-se até Niall e enquanto este lhe colocava a pulseira no pulso, o seu interior debatia-se para não chorar: – É linda, mas não era preciso.

 

  - Eu sei que não era preciso mas é pra não te esqueceres de mim, nem do nosso verão. É pra te lembrares que aconteça o que acontecer eu vou estar sempre contigo, sempre que estiveres triste quero que olhes para a pulseira e que te lembres de todos os momentos que vivemos os dois. Não quero que me prometas que me vais escrever todas as semanas, que me vais ligar todos os dias … - Niall não conseguiu controlar as lágrimas e Miriam também não. Era doloroso para eles separarem-se assim. – Só preciso que me prometas que não te esqueces de tudo o que vivemos, de tudo o que tivemos. Foste o meu primeiro amor de verão, e aposto que serás o único. – Niall limpou as lágrimas e colocou Miriam no seu colo. – Não chores amor. – Ao ver que Miriam continuava a chorar, Niall apertou-a mais contra si. – Não tornes isto mais difícil do que já é, princesa. Lembra-te que se eu tivesse a oportunidade de mudar alguma coisa durante este verão, eu não mudava nada. Foste minha durante o verão, e isso ninguém me pode tirar.

 

  - Eu serei sempre tua, Niall.

(…)

 

  Enquanto Miriam se despedia da tia, Niall ajudava o taxista a colocar as malas de viagem no porta-bagagem. Terminada esta tarefa, o taxista regressou ao lugar do condutor, dando alguma privacidade à família para se despedir. Miriam, deu um último abraço à tia e agradeceu-lhe pela última vez.

  Os olhos castanhos dela encontraram-se com os azuis de Niall, que lhe sorriu de forma forçada. Os dois jovens abraçaram pela última vez. Sentiram o perfume um do outro pela última vez, e os seus lábios juntaram-se também pela última vez naquele verão.

 

  - Até ao próximo verão, princesa. – Sussurrou-lhe Niall, enquanto colocava as suas mãos nas bochechas de Miriam.

 

  - Até ao próximo verão, Ni. – Disse-lhe no mesmo tom. – Serei sempre tua.

 

  - E eu serei sempre teu.

 

  Miriam entrou no táxi e manteve o seu olhar preso ao de Niall enquanto o mesmo arrancava. Ambos sabiam que o próximo ano não iria ser fácil, mas mesmo longe tinham-se um ao outro. Vários eram os quilómetros que os afastavam mas quando é amor, é amor. Independentemente da distância, das situações, das memórias boas ou más … Quando é amor, é amor. E um amor como o daqueles dois jovens poderia resistir a tudo. Um ano de separação não os ia impedir de nutrirem o carinho, a amizade, a compreensão e aquele sentimento tão forte que sentiam um pelo outro. Ambos sentiam que tinham vivido, durante aqueles meses, um amor de verão que duraria para a vida toda.

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