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Sweet Nothing

Sweet Nothing

One-Shot - Stay

Espero sinceramente que gostem, pois não me estava a correr muito bem e estava com muitas dúvidas em relação a esta one-shot. É muito importante para mim que deixem a vossa opinião num comentário, porque só assim é que posso melhorar. Muito obrigada desde já e por favor, comentem.

 

 A mão esquerda de Blair percorria a mesa-de-cabeceira em busca do seu telemóvel. Depois de despertar a sua primeira reacção foi procurar aquele aparelho para poder verificar as horas. Assim que o encontrou, ficou surpreendida: três e quarenta e cinco da manhã. Não sabia o que a tinha feito acordar, logo ela que costumava dormir como uma pedra e que naquela noite se sentia extremamente cansada.  A rapariga de cabelos ruivos sentou-se na cama e permaneceu bastante tempo a olhar a sua imagem de fundo. Nela, constava um casal apaixonado. Um casal que tão bem conhecia e do qual tinha saudades. Tinha saudades de os ver juntos, de os sentir. Aquela imagem era uma das muitas de que gostava, porém e talvez por ser a primeira, nutria um carinho especial Blair e ele, aquele que a completava. Tinha sido tirada ali, naquele mesmo espaço, na primeira noite que tinham partilhado e na qual se tinham entregado mutuamente sem quaisquer preconceitos, sem quaisquer amarras, sem quaisquer receios. Amor, puro.

 

                Não era suposto terem chegado tão longe, nem mesmo desenvolverem qualquer tipo de ligação a verdade é que ela já se encontrava dependente dele. Nenhum deles tinha dado conta do que tinha acontecido, a verdade é que de um momento para o outro já se encontravam presos um ao outro, com amarras fortes. Blair só o queria uma relação normal. Queria poder acordar todos os dias com ele ao lado, desejar-lhe os bons dias e vê-lo sorrir ainda de olhos fechados e com aquela cara preguiçosa. Queria ouvir aquela sua voz rouca, ainda mais rouca devido ao sono, a desejar-lhe os “bons dias” e quando finalmente se habituasse à claridade abrir os olhos e encara-la com aquelas duas esmeraldas no lugar dos olhos. Queria ter a oportunidade de lhe preparar o pequeno-almoço, preparar o sumo de laranja natural com três colheres de açúcar e as torradas pouco prensadas com doce de morango. Queria aproveitar todos os momentos com ele, queria poder passar tardes inteiras em silêncio, agarrados a ver um filme, ou apenas a olhar um para o outro. Desde que estivesse com ele, tudo era perfeito. Estar com ele era tudo o que mais precisava.

 

                Por mais estranhou, ou cliché que pareça o telemóvel da rapariga deu sinal de mensagem recebida e o coração de Blair acelerou quando deu conta do destinatário da mesma. Era ele. Quatro simples palavras, que a fizeram sorrir e chorar como louca. “ Anda abrir a porta.” Blair largou o telemóvel sem se preocupar onde o aparelho caía, afastou os lençóis que lhe cobriam o corpo e desatou a correr até à porta de entrada. As suas pernas pareciam perder a força à medida que se aproximava da porta, mas nem isso a deteve. A vontade de estar com ele era superior a tudo. As suas mãos tremiam ao destrancar a porta e assim que abriu aquela estrutura de madeira, viu-o.

                A única coisa que viu antes de o abraçar foi o sorriso, o sorriso mais verdadeiro que alguma vez vira. Os braços da rapariga rodeavam agora o pescoço do rapaz, e apertavam-no contra si com uma força quase sobrenatural O rosto de Blair encaixava perfeitamente na dobra do pescoço do moreno, e pela primeira vez nessa noite, Blair sentiu o perfume que tanto gostava entrar-lhe pelas narinas e acalmá-la como sempre acontecia. O moreno, de nome James, abraçou-a de igual modo. Apertou-a contra si como se o mundo dependesse disso. Blair era tão vulnerável e tão forte ao mesmo tempo, porém só se sentia descansado quando a possuía nos seus braços. Quando podia sentir a respiração dela contra o seu corpo, é que James tinha a certeza de que não estava a viver um sonho. Que ele era dela, e ela era dele.

 

                - Shhh, Blair. Já passou, eu estou aqui. – Assim que a sentiu chorar apertou-a mais contra si e pronunciou aquilo que lhe pareceu mais acertado.

 

                Blair nada disse, deixou-se estar assim. Encostada ao homem que amava – e que não sabia de tal coisa - até que este decidiu coloca-la no colo e levá-la para dentro de casa. James fechou a porta atrás de si e encaminhou-se para o quarto que tantas vezes tinha partilhado com Blair. Assim que chegou aquele espaço sentou-se na cama de casal e aconchegou-a no seu colo. Passou-lhe as mãos pelo cabelo e depositou vários beijos ao longo do mesmo. A rapariga acalmou e pela primeira vez nessa noite, falou:

 

                - Tinha saudades tuas, tantas saudades tuas. Senti tanto a tua falta.

 

                - Eu também, Blair. – James limpou as lágrimas que ainda permaneciam no rosto de Blair e sorriu-lhe. – Estás tão bonita, estás ainda mais bonita do que a ultima vez que te vi.

 

                - É dos teus olhos, James. – Discordou como sempre fazia.

 

                - Não, a cada dia que passa tornas-te mais bonita e toda a gente consegue vê-lo. Tenho tanta inveja das pessoas que podem estar contigo todos os dias e ver o que estou a ver neste momento. – Blair sorriu envergonhada e James levantou-lhe o queixo com os dedos para que os seus rostos ficassem ao mesmo nível. – E mesmo que fosse só e apenas dos meus olhos, era tudo o que importava.

 

                - Como correu a viagem? – Blair estava sempre preocupada com James, era mais forte que ela.

 

                - Correu bem, cansativa mas valeu a pena. O Dubai é um sítio lindo… quer dizer, pelo que consegui perceber do escritório. – Ambos riram com a conclusão da frase de James.

 

                - Conseguiste resolver as coisas com o teu pai? – Era talvez a pergunta mais difícil que Blair tinha para lhe fazer, e talvez, a mais dolorosa de responder para James visto que a relação com o seu progenitor não era nada fácil.

 

                - Os negócios correram bem, é o que interessa. – James permaneceu em silêncio depois disso, e vendo que Blair não ficara satisfeita com a resposta que ele tinha dado à sua pergunta, James continuou. – Blair, ele continua a não entender o meu ponto de vista. Continua a querer levar as suas ideias para a frente e enquanto isso perdurar não há nada que eu possa dar aquela empresa. Tentei mostrar-lhe que construir naquela área só lhe vai trazer problemas, tanto a nível monetário como social, mas ele só vê uma coisa: vingança.

 

                - Não há mais nada que possas fazer? – Perguntou a rapariga, na esperança que James conseguisse aquilo que tanto queria.

 

                - Não princesa, não há mesmo nada a fazer a não ser esperar. Falei com a minha mãe e ela vai tentar convencê-lo a seguir o que eu lhe disse, só me resta esperar.

 

                Blair remeteu-se ao silêncio e James embalou-a nos seus braços, era óptimo finalmente sentir-se em casa. Os seus olhos verdes percorrem aquele espaço e pode constatar que estava tudo igual desde a última noite que ali tinha passado.Após aquele momento de silêncio, Blair saiu do colo de James e deitou-se na cama. James cobriu-a com os lençóis e depois de retirar a roupa deitou-se ao seu lado. Antes de desligar a luz, a voz de Blair fez-se ouvir.

 

                - Vieste para ficar?

 

                - O que achas?

 

                - Eu quero que fiques.

 

                - Então eu vou ficar.

 

                Blair sorriu, e pela primeira vez ao fim de cinco meses pronunciou aquilo que desde o primeiro instante tinha sentido: - Amo-te James.

 

                - E eu amo-te a ti, Blair. 

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